ENTREVISTA

 

Escolas particulares como empresas

Fui entrevistado pela Revista Integração para uma matéria sobre escolas particulares e confessionais ou religiosas. A íntegra da entrevista você encontra aqui.

Revista Integração - Você considera a escola "particular" como uma empresa?

Mario Persona - 
Sim, se considerarmos que existe um mercado disposto a pagar por algo e existe alguém que forneça isso que o mercado busca, a educação é um negócio e a escola é uma empresa. Não existe mal algum em admitir isso. 

Há organizações de ajuda humanitária, por exemplo, que não cobram por seus serviços e vivem somente de recursos vindos do estado, de empresas ou indivíduos e que, mesmo assim, precisam trabalhar dentro de uma estrutura de empresa para a correta utilização de seus recursos. 

Enxergar uma organização como empresa tem também seu lado de enxergá-la como uma organização responsável que, além de atingir seus objetivos, procura fazê-lo de forma otimizada. No caso da escola particular, o conceito pode ser mal compreendido ao considerar o ensino como uma missão, porém também no caso deste, ensinar é, além de uma paixão, vocação e missão, a profissão que garante sua sobrevivência..

Revista Integração - Na sua visão, é possível, no mercado concorrido em que vivemos, uma escola "particular" sobreviver sem considerar um planejamento, estratégias, ou ao menos algumas ações isoladas de marketing?

Mario Persona -
 Não acredito que uma escola consiga sobreviver por muito tempo ou com a qualidade que o mercado exige se não planejar, desenvolver estratégias e até mesmo expor sua capacidade para o mercado. Acredito até que assumir a educação como negócio é uma forma até mais honesta do que tentar cobrir a atividade com uma aura de obra de caridade. 

Mesmo porque se há colaboradores e fornecedores, existe uma responsabilidade para com essas pessoas e empresas e a garantia de que serão recompensadas pelo trabalho que prestam. Além disso há clientes, os alunos, interessados no sucesso do empreendimento e na sua continuidade. 

A segurança para todos esses que podemos chamar de stakeholders está em enxergar uma organização atuando de forma transparente e segundo as práticas usuais de mercado, com ética e credibilidade.

Revista Integração - As escolas confessionais (religiosas) não gostam de usar os termos "empresa e cliente", porém, estão inseridas nesse contexto. O que você pensa sobre isso?

Mario Persona - 
O mau uso da religião por organizações que lucram por meio de uma estratégia duvidosa de angariar fundos criou um certo estigma no mundo atual e as pessoas já não enxergam as instituições sérias da mesma forma que elas enxergam a si próprias. No passado praticamente todas as escolas eram religiosas que tinham por objetivo formar pessoas principalmente para a prática religiosa. 

No passado, principalmente na Europa e colônias, a pessoa podia seguir basicamente quatro carreiras, se não pertencesse à nobreza: ou era camponês, militar, comerciante ou religioso. O estudo era normalmente reservado para esta última classe e os comerciantes não eram bem vistos no contexto geral. Então as instituições religiosas educacionais eram realmente vistas com outros olhos.

Os tempos mudaram e apenas uma porcentagem muito pequena da população coloca seus filhos em escolas religiosas com o objetivo de se tornarem clérigos. A grande maioria está interessada na tradição que normalmente essas escolas têm por terem sido fundadas há muitos anos, na qualidade e seriedade do ensino que costuma estar associada à tradição e aos valores que os pais esperam que seus filhos encontrem nessas escolas.

Mas é importante notar que os pais de hoje são filhos ou netos de uma geração que conheceu a existência normalmente de apenas dois tipos de escolas: religiosas e do governo. Para aquela geração, como foi a de meus pais, não eram comuns as escolas particulares no sentido em que hoje as conhecemos. Porém aquela geração está passando e essa percepção que seus filhos e netos trazem vai se diluindo até não sobrar mais nada da percepção do passado. Além disso, o ensino das escolas mantidas pelo governo caiu muito e para a classe com maior poder de consumo, apenas dois tipos de escolas permanecem em sua mente no leque de decisão: a escola particular boa e a escola particular ruim. 

Como esse pai ou essa mãe, que não viveu na época de maior prestígio das escolas confessionais, irá conhecer a capacidade de uma instituição se ela não concorrer ombro a ombro com as outras por um lugar no mercado, expondo e valorizando sua marca e mostrando claramente seus atributos? Daí a necessidade da instituição saber ser diferente em um tempo diferente. Caso contrário, se uma instituição pretende mesmo ser vista como uma instituição benemérita, sem ser confundida com uma empresa e ser reconhecida como uma missão, minha opinião é que procure obter sua receita de donatários simpatizantes e dirija todo o seu trabalho de ensino aos pobres e incapacitados de pagar.



Mario Persona é consultor, escritor e palestrante. Veja emwww.mariopersona.com.br

UM CONTADOR DE HISTÓRIAS

Com seu estilo inconfundível, o palestrante Mario Persona transforma grandes questões em conceitos simples e de fácil compreensão para qualquer audiência.

Um fino senso de humor e talento de cronista, aliados à experiência empresarial, lhe permitem extrair do banal o extraordinário e transformar "causos" corriqueiros em analogias perfeitas para a vida, carreira e negócios.

Para saber mais sobre o palestrante
clique aqui ou entre em contato para
receber uma proposta. Ou ligue para
(19) 99870-7899 / 99789-7939
contato@mariopersona.com.br

Laura Loft - Diário de uma recepcionista
Laura Loft
Diário de uma recepcionista
Marketing de Gente
Marketing
de Gente
Receitas de Grandes Negócios
Receitas de
Grandes Negócios
Gestão de Mudanças
Gestão de
Mudanças
Crônicas de uma Internet de verão
Crônicas de uma
Internet de verão
Marketing Tutti-Frutti
Marketing
Tutti-Frutti
Dia de Mudança
Dia de
Mudança
Crônicas para ler depois do fim do mundo
Crônicas para ler
depois do fim do mundo
Eu quero um refil!
Eu quero
um refil!
Meu carro sumiu!
Meu carro
Sumiu!
Moving ON
Moving
ON
Uma luta pela vida
Uma luta pela vida
Lia Persona Hadley
O Evangelho em 3 minutos - Mateus
O Evangelho em 3 minutos
Mateus
O Evangelho em 3 minutos - João
O Evangelho em 3 minutos
João
O que respondi - Vol. 1
O que respondi
Vol. 1
O que respondi - Vol. 2
O que respondi
Vol. 2
O que respondi - Vol. 3
O que respondi
Vol. 3
O que respondi - Vol. 4
O que respondi
Vol. 4
O que respondi - Vol. 5
O que respondi
Vol. 5
O que respondi - Vol. 6
O que respondi
Vol. 6
O que respondi - Vol. 7
O que respondi
Vol. 7
O que respondi - Vol. 8
O que respondi
Vol. 8
O que respondi - Vol. 9
O que respondi
Vol. 9
Você encontra os livros de Mario Persona também nestes endereços: