ENTREVISTA

Home-Office

P. - Há quanto tempo você tem o seu home Office? 

Mario Persona - 
No formato atual, há quase dez anos. Mas antes disso já trabalhei por alguns períodos em casa, embora na época não existisse a tecnologia que existe hoje. Aliás o conceito de home-office remonta o modelo atual de empresa. No passado quem não trabalhasse no campo trabalhava em casa, que era onde a maioria dos artesãos atuavam. 

O trabalho em casa voltou a ter a importância que tem hoje porque existe uma grande parcela da população que trabalha com informação e conhecimento, coisas intangíveis que podem ser manipuladas em qualquer lugar de onde o trabalhador puder ter acesso à informação e puder também transmiti-la.

P. - Por que e quando decidiu montar a sua empresa dentro de casa? 

Mario Persona - 
Quando deixei meu posto de diretor de uma empresa de TI e passei a trabalhar por conta própria, meu primeiro impulso foi o de montar um escritório. Paguei seis meses de aluguel sem nunca ter usado o lugar. Aquele impulso foi o mesmo que todos têm até por uma questão de condicionamento cultural, achando que para uma empresa existir ela precisa de um ponto comercial, um local onde seja possível fazer o atendimento aos clientes, fazer reuniões e coisas do tipo.

Mas em uma atividade como a minha, que envolve palestras, treinamentos e consultoria para grandes empresas de todo o Brasil, nunca é o cliente quem vem até mim, sou eu quem vai até ele. Mesmo quando há necessidade de reuniões, estas podem acontecer perfeitamente em hotéis ou salas de escritórios virtuais, que podem ser encontradas nas capitais e grandes cidades. 

O custo de manutenção de um escritório próprio poderia ser evitado se muitos profissionais ponderassem estes aspectos do profissional do conhecimento. Um colega consultor reconheceu isso quando contei a ele meu modo de trabalho. Quando conversamos ele estava com um escritório montado há cinco anos e foi só durante nossa conversa que se deu conta de que nunca um cliente tinha entrado ali. Era sempre ele quem ia ao cliente.

Às vezes a justificativa para se manter um local de trabalho fora de casa é para a necessidade de terceiros, como secretárias e atendentes. Hoje há empresas que fazem isso também virtualmente e eu mesmo tenho uma assessora que cuida de minha agenda, faz os contatos com clientes e até fecha negócios trabalhando a alguns quilômetros de distância de meu home-office.

Outra vantagem que encontrei em trabalhar em casa está mais relacionada aos meus horários. Por ser madrugador, as melhores idéias surgem lá pelas três ou quatro da manhã, e me fazem pular da cama para colocá-las no computador. Às vezes o entusiasmo faz com que eu simplesmente continue trabalhando sem me dar conta do horário.

P. - Quais são suas atividades atuais? 

Mario Persona - 
Apesar de lecionar marketing por alguns anos em uma faculdade de administração e em um MBA, suspendi essa atividade porque a demanda por palestras e treinamentos acabou ocupando minha agenda. Fui obrigado a fazer o mesmo com trabalhos de consultoria, que demandam uma dedicação mais prolongada a um mesmo cliente. Enquanto a demanda por palestras e treinamentos continuar aquecida como está, vou me limitar a estas atividades por serem mais pontuais.

Meu trabalho de tradutor também precisou ser suspenso temporariamente pelo mesmo motivo. A última tradução, de um livro de Marketing Internacional de 700 páginas, foi entregue no início deste ano e avisei a editora que por enquanto só será possível traduzir obras menores, já que um livro acadêmico desse tamanho costuma levar um ano para ser traduzido. Antes dele traduzi um com o mesmo tamanho e número de páginas sobre administração. 

Embora para mim a tradução seja uma atividade menos lucrativa em termos de dinheiro, ela é a mais lucrativa em termos de aquisição de novos conhecimentos, que é a matéria prima das outras atividades às quais me dedico. O fato de poder traduzir livros que ainda serão lançados no Brasil na área de comunicação, marketing e administração me coloca em uma posição privilegiada no contato com o que há de melhor em conhecimento acadêmico no primeiro mundo.

Minha outra atividade, que também é uma paixão, é escrever. Tenho seis livros publicados, cinco deles já esgotados, e escrevo regularmente em meu blog Mario Persona CAFE crônicas de negócios. Também escrevo textos exclusivos para algumas revistas, geralmente crônicas, que é o estilo com o qual eu mais me identifico. 

P. - Antes de ter um escritório em casa você trabalhou em qual empresa, qual era a sua função? 

Mario Persona - 
Fui diretor de comunicação e marketing de, uma empresa de TI, e a experiência me deu uma bagagem muito boa para entender a tecnologia e fazer o melhor uso dela. Quando você está envolvido com o que há de mais avançado em tecnologia da informação acaba sendo contaminado com o desejo de otimizar tudo usando o computador, a Internet ou qualquer tecnologia que permita trabalhar melhor.

P. - Até que ponto a iniciativa de trabalhar em casa não coloca a produtividade em risco? 

Mario Persona - 
É preciso um certo planejamento e instalações adequadas para isso. Moro em um apartamento grande o suficiente para ter um escritório bem equipado e separado. Trabalhar em home-office não significa ter seu computador instalado em cima da máquina de lavar roupa, mas organizar seu espaço de forma a não se distrair com as diversas atividades que ocorrem em uma casa, e nem transformar a família em escrava do silêncio que você precisa para se concentrar. 

É claro que deve existir a compreensão de todos na família dos horários determinados ao trabalho e ao lazer, e todos precisam respeitar isso, caso contrário poderão surgir conflitos, já que nem sempre é possível construir um quarto à prova de som. O profissional precisa também ter uma certa disciplina, ou irá engordar rapidamente. Trabalhar em casa significa também trabalhar a poucos passos da geladeira ou da dispensa cheia de guloseimas.

P. - A boa gestão do tempo tem papel fundamental nesse cenário? De que forma? 

Mario Persona - 
Sim, e neste caso deve incluir a família. É preciso uma mudança cultural, pois se um membro trabalha em casa, os outros devem considerá-lo ausente, como se estivesse no trabalho numa empresa qualquer. Não é possível trabalhar em casa se a cada cinco minutos você precisar atender a porta, colocar o lixo na rua ou alguém solicitar sua opinião para tudo. 

Obviamente isto não significa a impossibilidade de trocar uma fralda ou alguma outra atividade corriqueira, mas quando a família toda assume o compromisso junto com aquele que trabalha em home-office, ocorre uma mudança cultural e uma espécie de contrato de respeito e colaboração entre as partes.

A má gestão do tempo pode também comprometer a qualidade de vida do profissional que trabalha em casa, pois a falta de horário para começar e terminar seu período de trabalho pode levá-lo a trabalhar demais e dar pouca atenção à família. É comum alguém assim entrar a noite trabalhando por não ter a necessidade de desligar tudo e ir para casa. Afinal, ele já está em casa, mas se esquece de que o trabalho é um meio, não um fim.

P. - Se o funcionário/empresário não souber administrar seu dia e desviar o foco para assuntos caseiros (como descansar após o almoço, levar os filhos à escola e assistir à TV para "relaxar", por exemplo), certamente seu trabalho poderá ser duramente afetado. Como não permitir que isso aconteça? 

Mario Persona - 
Mais uma vez, ele precisará de disciplina. Não que seja necessário colocar um apito de fábrica em seu apartamento para avisar do início e fim das atividades. Geralmente quem trabalha em casa trabalha para atender serviços pontuais, ou fases específicas de um trabalho maior, como uma tradução, por exemplo. Você sabe quando deve começar, quando deve terminar e como deve dividir seu tempo para distribuir os capítulos ao longo do tempo e cumprir os prazos.

Aplique este exemplo a outras atividades e verá que não é muito diferente da administração que se faz em uma empresa. A grande vantagem é que, por ser senhor de seu tempo e não precisar fingir que trabalha, como quase todo mundo acaba fazendo quando o as tarefas são concluídas numa empresa convencional, o trabalhador em regime de home-office pode se dar ao luxo de escolher o que vai fazer com o seu tempo sem problemas de consciência e cobrança.

Por exemplo, eu sei quais são as temporadas de menor demanda em meu trabalho e posso separar os dias que quiser para viajar. Também posso me dar ao luxo de tirar uma tarde no meio da semana para ver um filme, ir caminhar ou ler um livro, enquanto o resto da população está confinada em seus escritórios. 

Se percebo que minha mente não está produtiva em um determinado dia, eu posso transferir o que precisava fazer para o dia seguinte, se isso não prejudicar meus prazos. Posso ir passear sem precisar deixar o computador ligado e o paletó pendurado no encosto da cadeira para o chefe pensar que eu estou em algum outro lugar da empresa, como muita gente faz para disfarçar o passeio.

P. - Quais as principais dicas que você pode passar como especialista e de quem vivencia ou vivenciou uma situação do gênero? 

Mario Persona - 
Antes de começar qualquer atividade, analise se você precisa de um local físico para trabalhar. Avalie o número de vezes que um cliente poderá visitá-lo e os prós e contras de ter um atendimento telefônico terceirizado. Veja também se existe espaço suficiente em sua casa para separar um local para suas atividades sem que os afazeres diários da família interfiram nelas e nem você na vida dos outros membros. Você não será considerado o melhor pai do mundo se desligar o desenho animado na melhor parte só porque decidiu avançar a noite trabalhando.

Entrevista concedida para a Revista Você S.A. em 07/08/2008.

Entrevistas como esta costumam ser feitas para a elaboração de matérias, portanto nem tudo acaba sendo publicado. Eventualmente são aproveitadas apenas algumas frases a título de declarações do entrevistado. Para não perder o que eu disse na hora, costumo gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra do que foi falado você encontra aqui. Se achar que este texto pode ajudar alguém, use o formulário abaixo para compartilhar.

Mario Persona é consultor, escritor e palestrante. Veja emwww.mariopersona.com.br

UM CONTADOR DE HISTÓRIAS

Com seu estilo inconfundível, o palestrante Mario Persona transforma grandes questões em conceitos simples e de fácil compreensão para qualquer audiência.

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