ENTREVISTA

TEMPO, CARREIRA PESSOAL e EXPECTATIVAS

Fui entrevistado pela "Q! Revista" para falar sobre minha carreira, formação e expectativas na vida e na profissão. A íntegra da entrevista você encontra aqui.

P. Você tem várias funções -- palestrante, professor e consultor de estratégias de comunicação e marketing e autor. Como administra todas essas funções no seu cotidiano?

Mario Persona - 
Todo profissional que trabalha com conhecimento tem uma flexibilidade muito grande de horários e de maneiras de vender seu trabalho. O fato de eu ser uma pessoa informatizada até o pescoço permite aproveitar melhor meu tempo usando as ferramentas que a tecnologia oferece. 

Hoje 90% de meus clientes chegam até mim por meus sites ou blogs e nem mesmo um escritório físico de atendimento eu preciso. Trabalho em regime de home-office, airport-office, hotel-office ou qualquer-coisa-office, porque onde eu estiver com meu notebook e uma conexão à Internet é meu escritório. Até meu atendimento telefônico hoje é terceirizado, o que significa que não tenho que administrar um espaço físico, funcionários etc.

Mas creio que uma das grandes vantagens de profissionais como eu é poderem trabalhar com um produto único, que é o conhecimento que é singular a cada profissional. Por conhecimento não ser um produto commodity, o preço é um dos mecanismos que também utilizo para administrar meu tempo, quero dizer, quando meu tempo é escasso, meu preço sobe. 

Considerando que o tempo do profissional do conhecimento é o que limita sua atuação, este deve ser usado como válvula regulatória de seus honorários, mesmo porque é impossível que o profissional do conhecimento esteja em mais de um lugar ao mesmo tempo. Assim como acontece com qualquer produto, cujo preço varia conforme sua escassez ou sua abundância, sou mais caro quando tenho menos tempo e mais barato quando o tempo sobra.

Mas mesmo este artifício de administração do tempo tem um limite, pois não se pode aumentar o preço indefinidamente sob o risco de perder clientes. Então ultimamente tenho tomado algumas medidas para reduzir meu volume de trabalho. Já deixei de atender clientes de consultoria e há uns três anos que não leciono na faculdade de administração e no curso de MBA onde costumava lecionar. Com isso minhas atividades hoje se resumem a palestras e treinamentos, além de escrever, que é uma espécie de terapia para mim.

P. Qual delas lhe dá mais prazer atualmente?

Mario Persona - 
Seria difícil decidir se não fossem as viagens. Como palestras e treinamentos exigem que eu viaje para diferentes estados, nem sempre essas viagens são rápidas e sem percalços. Por isso o ônus de precisar viajar torna o trabalho de palestrante menos agradável do que parece. 

Acho que no fundo, escrever é a atividade que mais me satisfaz e hoje coleciono seis livros desde o primeiro que saiu em 2001. Mas, se somar tudo o que tenho publicado em meus sites, entrevistas e blogs, o material supera em muito esses livros, tanto pela acessibilidade que oferece, como pelos resultados indiretos que trazem. Por isso por enquanto não tenho planos para um novo livro, mas pretendo continuar investindo meu tempo alimentando meus sites e blogs.

P. Você diz em seu site que é formado em Arquitetura e Urbanismo, mas que marketing é sua paixão. Como se deu a sua escolha de uma carreira de arquiteto e quando decidiu mudar de direção?

Mario Persona -
 Quando estudava arquitetura eu nem sequer sabia o que era marketing. Talvez eu confundisse marketing com propaganda, como a maioria das pessoas. A verdade é que na década de 1980 a crise pela qual o Brasil passava me obrigou a buscar outras atividades e acabei enveredando para a área de compras, vendas e negociação. Uma coisa levou a outra até eu acabar assumindo o posto de diretor de comunicação e marketing de uma empresa de TI, minha última atividade antes de trabalhar por conta própria.

O hábito da leitura, e também uma outra atividade que coleciono em minha carreira, ajudaram muito nesta nova etapa profissional. Refiro-me à tradução, algo que faço há quase trinta anos e me colocou no circuito das editoras de livros de administração e marketing. Traduzir um livro acadêmico do tamanho de uma lista telefônica e com 700 páginas certamente obriga você a estudar o assunto a fundo, porque o tradutor é obrigado a ler todo o texto atentamente no mínimo três vezes durante todo o processo de tradução e revisão.

Outra coisa que descobri ao me aprofundar em marketing foi que minha formação em arquitetura e urbanismo tinha tudo a ver com a atividade. À semelhança de um profissional de marketing, o arquiteto precisa conhecer muito bem o comportamento humano, porque tudo o que faz tem o homem como elemento central. Até as medidas do que projeta são decorrentes das dimensões do corpo humano.Tudo em um projeto arquitetônico gira em torno do ser humano, e no marketing também. Nas duas atividades você começa identificando necessidades, desejos e expectativas, para depois analisá-las e atendê-las de alguma forma. Este processo, até se chegar ao projeto de um edifício, de um carro ou de uma roupa, é o mesmo na arquitetura e no marketing.

P. Além da paixão, quais suas principais motivações para começar a trabalhar com marketing? Como começou na área?

Mario Persona -
 Acho que é uma conjunção de fatores, mas o principal é estar atento às oportunidades que surgem e ter vontade de aprender. Alguns podem chamar um problema de problema, mas outros veem problemas como oportunidades. Eu acho que me encaixo mais neste último perfil. Tudo aquilo que hoje facilita nossa vida são soluções criadas por pessoas que não fugiram do problema, mas viram nele uma oportunidade de criar.

Isto é algo que me cativa tanto no marketing, quanto na arquitetura ou mesmo na atividade de vender, que é igualmente apaixonante e está entre os temas dos treinamentos que ministro. Se você olhar ao redor não encontrará nada que não tenha passado pelas mãos de um vendedor. Mesmo que você esteja no meio de um deserto, provavelmente aquela terra já pertenceu a uma pessoa que a vendeu a outra, e você estará vestindo alguma roupa comprada em algum lugar. Estas atividades - marketing, arquitetura e vendas - têm em comum a necessidade de um estado de constante criatividade, por isso me identifico muito com elas.

Quer ver como as coisas se encaixam? Quando um arquiteto faz um projeto e o apresenta a um cliente, ele nada mais faz do que contar uma bela história, já que a casa ou edifício ainda nem existem a não ser no papel. Quando um profissional vende uma ideia relacionada a um produto e serviço, mais uma vez ele precisa ser um contador de histórias, como acontece com qualquer pessoa que venda qualquer coisa. Minha outra atividade, que é escrever, nada mais é do que colocar histórias assim no papel. Percebe como uma coisa leva a outra?

P. Como foi a sua infância? Você já fazia ideia do que seria desde pequeno? Quais suas primeiras aspirações?

Mario Persona -
 Quando pequeno eu queria ser bombeiro porque ganhei um caminhão de bombeiro, mas depois fui mudando conforme o carrinho que ganhava: motorista de ônibus, policial, médico etc. Na adolescência ganhei um aeromodelo do namorado de minha irmã e me apaixonei por aviões. Fui aeromodelista e mais tarde piloto privado. Minha licença de piloto veio antes de minha carteira de motorista, mas hoje só tenho a de motorista. 

Como era piloto, achei que o caminho natural seria cursar engenharia aeronáutica no ITA, mas no primeiro semestre do curso vestibular descobri que o ITA era para pessoas mais inteligentes do que eu. Apesar de adorar ler, detesto estudar. Leio o que gosto e aprendo com o que leio, mas não me peça para decorar alguma coisa. Foi no cursinho para prestar vestibular para o ITA que assisti a uma aula de demonstração sobre arquitetura e senti que aquilo era minha vocação. Cancelei imediatamente minha inscrição no curso para o vestibular de engenharia e comecei de novo no curso para o vestibular de arquitetura. Eu já era artista, pintava e desenhava, portanto arquitetura tinha tudo a ver comigo e foi assim que segui a carreira.

P. Qual deve ser seu próximo passo em sua carreira? Quais seus planos profissionais para o futuro?

Mario Persona -
 Hoje não tenho muitos planos para o futuro porque me sinto totalmente realizado. Talvez eu seja do tipo que não tenha muitas aspirações, o que é comum em pessoas introspectivas e que preferem um bom livro a um bate papo com amigos. Agora que os filhos estão independentes, minha ideia é limitar minhas atividades remuneradas a um mínimo que permita garantir meu sustento e usar o tempo livre para outras atividades que também me atraem.

Uma é o trabalho que já desenvolvo na Internet com vídeos e textos de comentários da Bíblia. Depois que descobri que poderia compartilhar minha fé cristã com muita gente usando a tecnologia, isto se tornou quase uma obsessão. Quando faço minha leitura da Bíblia de manhã aproveito para ir anotando ideias em meu notebook. Depois essas ideias acabam virando textos curtos que gravo em vídeos para o Youtube com o título de "O evangelho em 3 minutos"

Para não ser incoerente com o que ensino em termos de otimização do tempo, transformo os vídeos em áudio e com isso tenho, de uma tacada só, material em três diferentes mídias: vídeos, áudios mp3 e textos que são publicados nos blogs que criei para isso. Com uma média de quatro mil vídeos assistidos por dia, você pode imaginar o tanto de e-mails que isso gera. Esta também é uma das razões pelas quais pretendo cada vez mais aumentar minha parcela de tempo livre para me dedicar a esses trabalhos que não visam ganho financeiro, mas que considero extremamente prazerosos.

P. Que dica você daria para alguém que tem paixão por alguma área, mas tem medo de mudar de carreira?

Mario Persona - 
O medo de mudar é natural e se alguém disser que não tem medo é preciso examinar melhor se não está com algum problema. Mas é o próprio medo que faz as coisas ficarem mais interessantes. Ninguém praticaria esportes radicais se não existisse o medo de algo sair errado. Minha dica para qualquer profissional é que procure equilibrar o atendimento das necessidades suas e de sua família com aquilo que lhe traz satisfação. 

Infelizmente nem sempre isso é possível. É realmente complicado trabalhar em algo que não traz qualquer prazer, mas mesmo assim é perfeitamente possível sobreviver a isso. Minha carreira também teve muitos ossos que foram duros de roer, mas eu sobrevivi a eles e até agradeço por eles terem surgido em meu caminho. Hoje percebo que muito daquilo que aprendi, e que hoje faz parte de minha bagagem de conhecimento, eram justamente atividades que na época eu considerava ruins, além de uma perda de tempo e talento. 

Como eu disse, minha atividade de palestrante exige viagens que nem sempre são agradáveis, mas quando eu transformo a obrigação da viagem em um momento de descontração ou leitura, por exemplo, acabo revertendo isso e fazendo a viagem trabalhar a meu favor. Um motorista de ônibus que aprenda a se encantar com a paisagem ou com as diferentes pessoas que transporta irá encarar sua profissão com outros olhos.

A dica é esta: procure naquilo que você faz algo que se encaixe em sua lista de coisas que gosta de fazer, e transforme aquilo o recheio de sua empada. E fique de olhos bem abertos para as oportunidades, lembrando que elas surgirão, não vestidas de oportunidades, mas disfarçadas como problemas.

Entrevista concedida à "Q! Revista" em 24/09/2010.

Entrevistas como esta costumam ser feitas para a elaboração de matérias, portanto nem tudo acaba sendo publicado. Eventualmente são aproveitadas apenas algumas frases a título de declarações do entrevistado. Para não perder o que eu disse na hora da entrevista, costumo gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra do que foi falado você encontra aqui. Se achar que este texto pode ajudar alguém, use o formulário abaixo para compartilhar.

Mario Persona é consultor, escritor e palestrante. Veja emwww.mariopersona.com.br

UM CONTADOR DE HISTÓRIAS

Com seu estilo inconfundível, o palestrante Mario Persona transforma grandes questões em conceitos simples e de fácil compreensão para qualquer audiência.

Um fino senso de humor e talento de cronista, aliados à experiência empresarial, lhe permitem extrair do banal o extraordinário e transformar "causos" corriqueiros em analogias perfeitas para a vida, carreira e negócios.

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