ENTREVISTA

PLANEJAMENTO DE CARREIRA

Qual a importância do planejamento de carreira para um profissional já estabelecido no mercado? 

Mario Persona - Isso vai depender da atividade do profissional que já no mercado. Há atividades que estão com os dias contados, por isso em seu planejamento o profissional já deveria ter um "Plano B" que permita aproveitar ao máximo suas competências atuais e garanta uma transição segura para uma nova atividade.

Mesmo assim ele precisará tentar prever para onde irá sua nova atividade, qual a concorrência que precisará enfrentar e em especial se a sua idade é compatível com a faixa de idade que se espera para profissionais desempenhando a mesma atividade.

Um profissional não deve descansar sobre as vitórias conquistadas e a posição que alcançou, pois o mercado é extremamente dinâmico. Tampouco deve achar que tudo continuará bem só porque o plano que tinha para sua carreira realizou-se conforme o esperado. As profissões dão guinadas e é preciso estar sempre preparado para recomeçar.

E para o jovem que está começando os estudos ou ainda está buscando uma profissão para ingressar na faculdade?

Mario Persona - O jovem deve planejar em termos mais flexíveis, pois é muito comum que um estudante se decepcione com a profissão assim que cai no mercado. O mundo acadêmico nem sempre oferece o cenário real que o estudante irá encontrar em sua futura profissão. O caráter purista da academia pode deixá-lo despreparado para a realidade. Além disso, ele pode ficar tão focado na profissão para a qual a faculdade o prepara que deixa de enxergar atuações paralelas.

Dou um exemplo. Minha formação original foi em arquitetura, um curso maravilhoso que realmente abre a mente do profissional e o faz pensar de forma tridimensional. Mas nem todo estudante de arquitetura descobre isso e morre acreditando que sua formação só servirá para projetos de edificações e cidade. Quando muito ele pode desviar um pouco o rumo e partir para o design de móveis e objetos. Não deveria ser assim.

Quando se possui uma capacidade tridimensional de lidar com problemas, que é basicamente o que ensina um curso de arquitetura em sua essência, é possível transplantar essa capacidade de pensar para outras áreas, incluindo administração, marketing etc. Com uma adaptação e alguma formação complementar o profissional pode ter muito sucesso em outras áreas.

Portanto, o estudante deve planejar sua carreira incluindo em seu plano variantes para sua formação. Alguém que estude física poderá um dia trabalhar em medicina, um dentista poderá se tornar empresário e fabricante de equipamentos odontológicos e alguém formado em psicologia talvez encontre um campo fértil para aplicar seus conhecimentos em vendas.

Por que planejar a carreira? Quais devem ser os objetivos estratégicos de carreira?

Mario Persona - O planejamento é mais importante no sentido de se prever possibilidades do que efetivamente traçar uma linha reta acreditando que no final daquela reta esteja o futuro de sua profissão. Não está. Depois de alguns anos o profissional vai descobrir que a estratégia reta original que traçou para chegar ao destino pretendido se transformou num ziguezague tal que pode ser mais interessante assumir de vez o desvio do rumo e aportar em outro destino.

Se for uma pessoa atenta ao que acontece ao seu redor, estará pronta para agarrar oportunidades importantes que podiam nem ter sido previstas em sua carreira original. Será que isso põe a perder todo o seu planejamento? Não, porque o mais importante de um planejamento de carreira é analisar as possibilidades de desvio e suas consequências. 

Há vinte anos, qual estudante de administração poderia prever que um dia administraria uma loja virtual, sem estoques, ponto físico e balcão? Pois esta é a realidade de muitos hoje. E que estudante de jornalismo poderia imaginar que um dia trabalharia em seu próprio jornal, igualmente sem uma redação, mas produzindo conteúdo e vendendo propaganda em páginas de bits e não de papel?

O planejamento de carreira deve ser vinculado à empresa que trabalhamos? Ou deve ser independente?

Mario Persona - O emprego hoje é bastante efêmero em sua duração. Ainda que você trabalhe vinte anos sentado na mesma cadeira, se for um banco é provável que já tenha mudado uma ou duas vezes de empresa por conta das vendas e fusões. 

Em outros casos, a empresa que começou como uma escola poderá ter se transformado em uma indústria de computadores. Aqueles na equipe que enxergaram esse futuro procuraram se preparar para ele como a formiga da fábula, mas no processo muitas cigarras acabam perecendo no inverno da transição.

Por isso o planejamento, para quem trabalha numa empresa, deve ter um olho na atividade atual e também nas portas de saída, porque elas podem se abrir à nossa frente para oportunidades inesperadas, ou serem fechadas às nossas costas pelas contingências. Então, ser dispensado poderá ser uma tragédia para quem amarrou seu plano de carreira à empresa na qual ingressou para trabalhar até se aposentar. Porém, para quem nunca deixou de ter uma carta extra na manga, a dispensa pode ser a oportunidade que faltava para um novo começo.

Como evoluir em uma empresa?

Mario Persona - As empresas evoluem graças à visão de futuro, e não é diferente para o profissional. Nas empresas há basicamente três perfis profissionais. Você encontra o perfil administrador, sempre focado no controle de tudo, contando as moedas, respeitando os prazos e mantendo a estrutura organizada. Há também o perfil operacional, pessoas que são pau para toda obra, prontas para executar, montar, desmontar, consertar etc. Finalmente há o perfil empreendedor, visionário, imaginativo, que pode não ser muito organizado ou conseguir terminar o que começou, mas que é capaz de enxergar longe.

Os três podem se dar mal quando trabalham sozinhos. O administrador vai confundir organização com trabalho, portanto dificilmente será produtivo naquilo que realmente dá dinheiro. O operacional vai dar o sangue e suar a camisa, mas estará tão entretido com o aqui e agora que quando as pessoas pararem de comprar charretes ele terá perdido a oportunidade de fabricar automóveis. Já o empreendedor poderá naufragar em seus sonhos por não ter quem os administre ou execute. A empresa evolui porque possui os três perfis em seus quadros.

Para o profissional evoluir ele deve ter a visão de um empreendedor, a garra de um operacional e o tino organizacional de um administrador. Mas se ele quiser garantir seu futuro, é bom que tenha seu lado empreendedor um pouco mais desenvolvido, pois é este que trará para a empresa ideias inovadoras e também lhe poderá ser muito útil no dia em que o único futuro que terá pela frente for a saída.

Como desenvolver a carreira profissional e ganhar visibilidade?

Mario Persona - O primeiro passo para uma carreira bem sucedida, depois de um bom planejamento de como e onde pretende atuar, é construir suas habilidades. Isso nunca termina, pois depende de conhecimento e experiência, duas coisas que continuarão a alimentar o profissional por toda a vida. A visibilidade deve vir como consequência de suas realizações, caso contrário o risco de ficar conhecido por sua mediocridade pode ser grande.

O marketing pessoal poderia ajudar neste caso? Como fazê-lo de maneira positiva?

Mario Persona - Sim, se ele entender que marketing pessoal não é sinônimo de autopromoção, mas todo um conjunto de ações que fazem parte do planejamento de sua carreira, como identificar pontos fortes e fracos, analisar a concorrência, entender o cliente que pretende atender e coisas do tipo. Neste sentido não é muito diferente do marketing convencional de um produto ou serviço.

A exposição melhor, como consequência de um bom marketing pessoal, é quando sua rede de relacionamentos tem o seu nome como o primeiro da lista na hora da necessidade ou de indicar para alguém. Mas isto só acontece se o profissional deixar uma marca forte de competência e prontidão em ajudar aqueles que precisam dele.

O que é uma pessoa bem sucedida?

Mario Persona - Eu acredito que seja alguém que conseguiu atingir seus anseios, que chegou aonde planejava chegar e se sente feliz por isso. Não há como querer associar sucesso a dinheiro, porque para muitos o sucesso da carreira não poderá ser medido em termos de dinheiro ganho ou do número de carros que tem na garagem. 

É claro que a sociedade tenta nos vender essa imagem de sucesso mais comercial, mas ela nos remete a uma situação de insatisfação permanente. Para quem vê dinheiro como felicidade, sempre existirá a possibilidade de se ganhar mais dinheiro, portanto nunca haverá um verdadeiro contentamento com aquilo que já se alcançou. 

Entrevista concedida à Revista Aptidão em 02/06/2010 .

Entrevistas como esta costumam ser feitas para a elaboração de matérias, portanto nem tudo acaba sendo publicado. Eventualmente são aproveitadas apenas algumas frases a título de declarações do entrevistado. Para não perder o que eu disse na hora da entrevista, costumo gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra do que foi falado você encontra aqui. Se achar que este texto pode ajudar alguém, use o formulário abaixo para compartilhar.

Mario Persona é consultor, escritor e palestrante. Veja emwww.mariopersona.com.br

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