ENTREVISTA

Vencendo o medo da Mudança

Fui entrevistado pela EcoRevista para uma matéria sobre a administração de mudança. A íntegra da entrevista você encontra aqui.

http://youtu.be/acYPIMH5gNk


- Por que mudar assusta tanto?

Mario Persona - Eu creio que isso tem a ver com nossa configuração natural. Somos configurados para economizar energia, por isso sempre procuramos o caminho mais curto, o trabalho mais fácil e a solução mais rápida. Até nosso cérebro cria padrões para não precisarmos raciocinar da próxima vez que encontrarmos os mesmos padrões. Por isso aprendemos a ler unindo letras e depois não as enxergamos mais separadas. Pensamos logo na palavra. Por esta razão também não reparamos mais em um caminho cotidiano, a menos que existam mudanças significativas nele. Tudo para o cérebro economizar energia.

Quando levamos o mesmo raciocínio para o trabalho, entendemos que é preciso reeducar o cérebro e aproveitar outra capacidade que temos que é a curiosidade e o ímpeto por novas descobertas. Portanto existe aí uma espécie de luta em nós: por um lado queremos descobrir coisas novas, mas por outro queremos evitar qualquer esforço no processo. Talvez seja daí que venha a criatividade humana, que é criar coisas que facilitem nossa vida, reduzam o esforço do trabalho e possibilitem o ócio, quando encontramos tempo para criar coisas... e o ciclo se repete. 

É aí que entra o aspecto motivacional da mudança, que é sermos capazes de enxergar oportunidades e uma "relação custo-benefício" favorável, em termos de esforço dispendido para enfrentar o novo e a tranquilidade que isso nos trará em termos de futuro para a carreira.

Um terceiro aspecto de nossa resistência para mudar é simplesmente o medo, e isso difere de pessoa para pessoa. Alguns são mais ousados, portanto não receiam perder o que conquistaram, enquanto outros são mais cautelosos. O fato de existirem no mercado de investimentos diferentes perfis de investidores mostra como os seres humanos diferem na hora de enfrentar o risco.

- Como transformar mudança em oportunidade?

Mario Persona - É preciso ter um certo sentimento de insatisfação com o "status quo" para enxergar oportunidade na mudança. A conscientização de nosso papel na sociedade ou mesmo em nosso próprio crescimento individual também é de auxílio na hora de tentar descobrir mais prós do que contras para mudar. Veja você que todas as profissões existem porque existem problemas. Temos médicos porque temos doenças, temos advogados porque temos litígios, temos engenheiros porque temos clima adverso que nos impede de morar ao relento.

O entusiasta da mudança encara os problemas como desafios e oportunidades, porque sabe que sempre que alguém inventou algo, e lucrou com isso, foi porque se deparou com um problema que ninguém conseguia resolver. Então ele passa a procurar "sarna pra se coçar", por assim dizer, correndo atrás dos problemas porque eles representam oportunidades.

Se pensarmos nas mudanças dentro de uma empresa, podemos perceber que elas nunca deixam as coisas como eram. Como numa dança das cadeiras, a mudança é algo dinâmico que resultará em alguns sentados e outros de pé. Os proativos saberão se encaixar nos novos desafios, mas os acomodados ficarão esperando uma cadeira fácil, a qual pode não existir mais na nova configuração do trabalho. Para aqueles que têm o desejo de crescer, a mudança na empresa pode representar a oportunidade que buscavam, não só porque a mudança pode gerar reestruturação, mas principalmente porque a poderá trazer crescimento e lucratividade para a empresa e, portanto, novas oportunidades.

- O que fazer para se adaptar a um novo ambiente de trabalho?

Mario Persona - O primeiro passo é observar muito bem o que está acontecendo, quem é quem, o que cada um faz ou deixa de fazer. Nessas horas aproveitar as lacunas existentes é uma forma de se destacar, de resolver problemas que talvez as pessoas nem tenham percebido que existem. Isso exige uma grande dose de proatividade.

Mas é preciso ter também flexibilidade, ser um profissional meio "esponja". Uma esponja possui qualidades que a tornam ao mesmo tempo flexível e resiliente, e são essas qualidades que fazem da esponja um objeto útil. O profissional flexível como esponja consegue se encaixar facilmente em qualquer nova posição ou tarefa e moldar-se a ela. A resiliência permite que ele sofra pressão sem perder a memória de seu estado original, ou seja, ele sempre conserva sua integridade e é capaz de se recuperar facilmente das pressões circunstanciais.

Mas existe outra característica da esponja que também devemos cultivar. Uma esponja é cheia de espaços vazios, daí sua capacidade de absorver líquidos quando passa pelo processo de pressão e descompressão, ativando sua flexibilidade e resiliência. Ao voltar ao estado original ela preenche seus espaços vazios, e assim deve ser o profissional: reconhecer que tem muito espaço em si que precisa ser preenchido com novos conhecimentos, que ainda tem muito para aprender. Se souber aproveitar a mudança, a pressão e a circunstância para preencher esses espaços vazios, ele só terá a ganhar. Por outro lado, o profissional que pensa saber tudo é rígido e sólido. Não aprende nunca e nem é capaz de se moldar às novas circunstâncias trazidas pela mudança, pois elas não fazem parte de seu parco universo de conhecimento.

- O que é importante considerar ao lidar com novos colegas?

Mario Persona - Além de procurar sempre manter um relacionamento proveitoso com todos, é importante saber identificar aqueles que têm disposição para mudar e ficar longe dos resistentes e reacionários. Quando acontece uma mudança, acontece também uma exposição maior dos acomodados. Eles ficam expostos e isso nem sempre lhes agrada, por isso passam a criticar a mudança. Gente que rema no sentido contrário não ajudará em nada no avanço do barco. Em momentos assim é melhor se afastar dos que insistem em resistir, porque isso contamina nosso ânimo e sem perceber acabamos também passando para a resistência. Lembre-se de que nossa configuração original é de procurarmos o caminho mais fácil e de menor gasto de energia.

- Qual é o papel dos gestores para que o processo de mudança em uma empresa dê certo?

Mario Persona - Toda mudança deve ter o suporte da gestão ou, melhor ainda, começar de cima para baixo. Mas ela só terá sucesso se buscar elementos de sustentação de baixo para cima. Um líder que dá voz aos seus liderados tem maiores chances de sucesso na formação de um time coeso. Daí a importância de se criar um canal de comunicação entre a operação e a gestão, porque isso também permite que os gestores obtenham tanto informações importantes do que pode ser mudado, como também um feedback das mudanças já implementadas. Se o líder conseguir criar a percepção de que as melhores ideias de mudança são justamente da base operacional, encontrará aliados em todos os níveis da empresa, fortalecendo assim o processo de mudança.

- Você poderia nos ajudar a identificar as principais reações/ perfis de pessoas envolvidas no processo de mudança?

Consigo ver alguns perfis em momentos de mudança.

  • Alheios: nem percebem a mudança porque o que fazem é tão irrelevante que provavelmente continuarão fazendo do mesmo jeito.
  • Resistentes passivos: não trarão qualquer ideia nova e simplesmente serão levados pela mudança sem que se importem muito com elas.
  • Sabotadores ocultos: não gostaram da mudança, mas também não revelam isso, procurando boicotar sempre que possível, sem causar alarde.
  • Piqueteiros: são os que boicotam, mas se sentem fracos se boicotarem sozinhos, portanto procuram mobilizar simpatizantes para sua "causa".
  • Contaminantes: esses não são proativos na oposição à mudança ou no boicote, mas costumam contaminar o resto da equipe, por isso precisam ser identificados e substituídos quando for o caso. É importante entender que uma mudança pode ir por água abaixo se existir alguém convincente na oposição.
  • Oba-oba: gente que se anima fácil com qualquer mudança, mas não tem qualquer intenção de pegar no batente.
  • Engajados: se preocupam com a mudança, são capazes de detectar e apontar falhas na mudança, mas sentem-se responsáveis em mudar e em ajudar a corrigir o rumo onde for preciso. Este perfil, que não é nem apático e nem reacionário, é o que realmente ajuda a construir a mudança, que sempre deve ser encarada como um processo, nunca como um carimbo em seu formato definitivo e imutável. 

    Entrevista concedida ao site da EcoRevista em 25/04/2011.

Entrevistas como esta costumam ser feitas para a elaboração de matérias, portanto nem tudo acaba sendo publicado. Eventualmente são aproveitadas apenas algumas frases a título de declarações do entrevistado. Para não perder o que eu disse na hora da entrevista, costumo gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra do que foi falado você encontra aqui. 

Mario Persona é consultor, escritor e palestrante. Veja emwww.mariopersona.com.br

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Com seu estilo inconfundível, o palestrante Mario Persona transforma grandes questões em conceitos simples e de fácil compreensão para qualquer audiência.

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