ENTREVISTA

Mostrando competência no trabalho

Existem muitos casos nas empresas de profissionais que quase não deixam seu trabalho aparecer, mas que são indispensáveis?

Mario Persona - 
Sim, e isso pode ocorrer tanto pela natureza do trabalho daquele profissional como também por uma falha em sua comunicação. Por mais que um profissional trabalhe nos bastidores, sem ser notado, é importante que ele tenha um bom relacionamento com os colegas e uma comunicação eficaz para que todos saibam o que ele faz e reconheçam a importância disso. 

Muita gente pode achar que isso é vaidade, mas não é. Quando uma organização conhece o papel de cada um no time, as pessoas trabalham sabendo a quem recorrer na hora da necessidade. Elas também se tornam conscientes de que fazem parte de uma cadeia de valor na qual todos os elos são importantes, mesmo aqueles que pareçam insignificantes. O nervo de um dente não passa de um fiozinho se comparado com outras partes do corpo, mas sabemos bem do que ele é capaz. 

Muito se fala atualmente sobre gestão do conhecimento na empresa, mas o cerne do conceito de gestão do conhecimento está justamente em se conhecer a bagagem e capacidades de cada um. Considerando que a maior parte do conhecimento é implícito e não pode ser codificado, são as pessoas os grandes depositários do conhecimento de uma empresa, e elas precisam trabalhar em rede para que todos se beneficiem de todo o potencial do time.

Se eu não conhecer a capacidade do Ronaldo, sua posição em campo, com que pé controla melhor a bola e se obtém melhores resultados com bolas altas ou rasteiras, não saberei fazer o passe adequado para resultar em gol. E se ele evitar os colegas, não revelar a eles suas habilidades ou achar que é capaz de jogar sozinho, o resultado também vai ser negativo. Uma competência só tem valor se existir reciprocidade, tanto no conhecimento como no reconhecimento.

De qualquer modo, não acredito que o Ronaldo tenha o perfil de alguém que não deixa seu trabalho aparecer, porque isso é quase impossível de ocorrer com uma pessoa que trabalha na boca do gol e seus movimentos são vistos pela população do planeta. Talvez ele não seja trombeteiro como alguns jogadores, mas seu trabalho é notório.

Em geral, estes profissionais são aqueles que, na hora em que acontecem situações difíceis, sabem resolver a questão?

Mario Persona - 
Nem sempre, porque muitos estão tão compenetrados naquilo que fazem que nem imaginam o quanto a empresa depende deles. Talvez este seja também mais uma dificuldade: o profissional é incapaz de avaliar o valor que tem o seu papel na estrutura da organização.

Um exemplo muito simples você encontra na área de informática entre profissionais jovens. Para eles, que aprenderam a programar por hobby, aquilo é tão banal que acabam trabalhando de graça ou são incapazes de cobrar pelos serviços que prestam. Considerando também que muitos desses jovens profissionais são bastante introspectivos, até mesmo pelo perfil da profissão que exige horas de concentração solitária, eles acabam também se isolando e impedindo que outros conheçam plenamente suas capacidades.

Não é incomum uma empresa ir buscar ajuda em profissionais externos quando precisa de uma habilidade que ainda não é utilizada no seu quadro de colaboradores, por não saber da existência em seu quadro de um especialista no assunto. Talvez alguém que esteja hoje sendo subutilizado poderia ser aproveitado em todo o seu potencial em uma posição que acabaria sendo vantajosa para ele e para a empresa.

Respondendo mais diretamente sua pergunta, um profissional que trabalhe enrustido assim provavelmente nem ficará sabendo da situação difícil para poder resolver a questão, pois estará tão focado na tarefa do dia a dia para a qual foi designado que estará alheio ao que acontece em redor. Como consequência, quem precisa de sua habilidade não irá procurá-lo por desconhecer essa sua capacidade.

Qual a importância que as empresas dão a profissionais que resolvem tudo na hora "H" e que sabem decidir de forma acertada?

Mario Persona - Isso varia muito, pois depende bastante do perfil da liderança, mesmo porque pessoas que sabem tomar as decisões acertadas e fazer o que precisa ser feito já têm características de liderança. A gestão antiga nem sempre sabia valorizar a presteza, e a gestão medrosa e centralizadora não gosta muito de pessoas que resolvem as coisas rapidamente sem passar por todos os degraus e processos burocráticos, porque vêem nesses profissionais uma ameaça. Falo de empresas onde alguém que demonstre ser mais capaz do que o chefe corre o risco de perder o emprego.

Para que uma pessoa seja capaz de resolver as coisas na hora "H" e de forma acertada ela precisa estar bastante antenada com o contexto todo da empresa, ou pelo menos ser alguém reconhecido por sua capacidade para ser procurado nessa hora. Você vai perceber que é preciso existir reciprocidade na equipe, o que tem tudo a ver com a idéia de trabalhar em rede que mencionei há pouco.

O profissional precisa se comunicar bem o suficiente para que outros conheçam o seu potencial, e os outros precisam saber a quem procurar na hora da necessidade e não ter medo de que outra estrela na constelação da empresa brilhe mais nessa hora.

São muitos estes profissionais ou são raros no mercado?

Mario Persona - 
Eles são raros porque a habilidade de decidir e resolver problemas é uma das características dos líderes e gestores. Como toda empresa funciona no formato de uma pirâmide, mesmo aquelas mais achatadas com uma gestão mais horizontal, você sempre encontrará menos gente à medida que subir os degraus dessa pirâmide. E se continuar subindo vai descobrir que no cume da pirâmide só cabe um, e mesmo assim se equilibrando num pé só. Pessoas capazes precisam sempre se manter capazes, ou perdem o lugar.

Existem profissionais que não gostam nem um pouco de entrar nessa briga de competências, pois sabem que uma vez reconhecidos como ágeis, dispostos e decididos, passarão a ser cobrados como tal. Acontece o mesmo com um craque. Pouca gente reclama se algum desconhecido perder a bola num drible ou errar o chute para o gol, mas vai o Ronaldo fazer isso para você ver o que acontece. Ele tem um histórico de competência e a cada olé essa régua de competência é colocada mais alta e ele passa a ser cobrado em um novo nível. Uma vez competente, você precisa ser competente até morrer. Mas acho que esse slogan é de outro time.

O que precisa para uma pessoa tornar-se um deles? É dom nato ou é possível trabalhar para se tornar como tal?

Mario Persona - Creio que seja uma conjunção de várias coisas. O livro "Fora de série", de Malcolm Gladwell, trata desse assunto. Ele define características como família, cultura e relacionamentos como tendo um papel vital no sucesso profissional. Em sua pesquisa o autor descobriu também que, além de tudo isso, o fator oportunidade também tem um peso importante na carreira das pessoas de sucesso. As pessoas bem sucedidas mostradas no livro também investiram muito tempo em aperfeiçoar suas capacidades, o que tem a ver com aquele ditado de que não depende só de inspiração, mas de muita transpiração também.

Entrevista concedida ao Jornal Carreira & Sucesso em 08/05/2009.

Entrevistas como esta costumam ser feitas para a elaboração de matérias, portanto nem tudo acaba sendo publicado. Eventualmente são aproveitadas apenas algumas frases a título de declarações do entrevistado. Para não perder o que eu disse na hora da entrevista, costumo gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra do que foi falado você encontra aqui. Se achar que este texto pode ajudar alguém, use o formulário abaixo para compartilhar.

Mario Persona é consultor, escritor e palestrante. Veja emwww.mariopersona.com.br

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