ENTREVISTA

A ansiedade criada pelas novas tecnologias

Mario Persona

Entrevista para o jornal A Tarde sobre a ansiedade criada com o uso do computador, Internet e outras tecnologias.

A Tarde: O que você tem a dizer sobre pessoas que "sofrem" uma espécie de ansiedade tecnológica, aquele tipo de situação que envolve a falta de capacidade de controle quando o assunto é dominar programas e utilização do micro?

Mario Persona:
 Essa ansiedade é comandada pela necessidade. Hoje saber estar familiarizado com a tecnologia da informação é tão necessário quanto foi no passado estar familiarizado com a pena -- saber escrever. E quando falo de tecnologia da informação, incluo desde o domínio de um simples telefone até a Internet, passando pelo celular, microcomputador, pagers, handhelds ou quiosques bancários. Nossos sentidos foram expandidos e a entrada e saída de dados que recebemos do ambiente depende agora desses acessórios tecnológicos.

Todos sofremos de uma certa ansiedade quando percebemos que é preciso dominar algo e descobrimos que estamos sendo dominados por isso. Eu passei por isso na década de 80, quando assumi a gerência de uma empresa e de um Apple que, na época, havia custado mais de quatro mil dólares. Quando ligava aquela tela de fósforo verde, ela parecia me dizer: "Decifra-me ou te devoro!" Tínhamos um cadastro de mil e poucos clientes feito em linguagem Basic que levava meio dia para ser indexado pelo computador. Depois evoluímos para o dBase II e tudo ficou mais rápido, apesar de precisar separar os clientes por disquetes. De "A a C" em um, "D a F" em outro, etc.

Minha primeira reação foi extremista. Decidi que tudo aquilo poderia ser feito melhor à mão, usando fichas e máquina de escrever! Aquela era uma reação desesperada diante da derrota para uma máquina. Felizmente aquela crise passou e decidi enfrentar madrugadas para dominar a máquina. Tomei como missão domesticá-la. Eu não seria subjugado por um monte de fios e chips. Aí ocorreu uma virada fantástica em meu relacionamento com a tecnologia. Passei a ter a curiosidade de descobrir novos programas, novas funcionalidades, e até hoje me sinto bem diante de um micro.

Só que agora a máquina tenta me dominar de outra maneira, muito mais sutil. Ela quer recuperar todo o tempo que me fez ganhar, criando novas e tentadoras atualizações de software, de hardware, de sistemas, de... Agora já se trata de desenvolver um auto-controle para não me deixar levar pelo entretenimento tecnológico, uma excelente forma de se perder tempo instalando a última versão ou lendo manuais com funções que não vou precisar nem quando me mudar para Marte.

A Tarde: Em muitos casos, a pessoa perde as estribeiras e parte para a solução mais "irracional" possível: pode até mesmo dar umas pancadas no micro, querem jogar fora, como se isso resolvesse?

Mario Persona:
 Já fiz isso. Felizmente não quebrou nada. Até hoje o micro resolve inventar uma novidade nas horas mais impossíveis. É a impressora que pára na hora de imprimir aquela proposta urgente. É a Interne que decide ficar muda quando mais preciso enviar ou receber meus e-mails, ou pesquisar algo. Ou duas horas perdidas por não conseguir gravar um arquivo só para descobrir depois que não tem nada de errado com seu micro, mas que um problema na rede está causando aquilo.

Uma vez tinha uma palestra para dar e, depois de tudo preparado, dediquei um dia inteiro para colocar tudo numa bela apresentação em Power Point, com fotos e tudo mais. Terminei às nove da noite e a apresentação era no dia seguinte cedo, em outra cidade. Na hora de gravar pela última vez, um problema fez com que o arquivo se corrompesse e não fosse mais possível abrir. Nem ele, nem o backup! O jeito foi tomar algumas xícaras de café, virar a noite refazendo tudo, tomar um bom banho e partir para a palestra sem perder o pique. A adrenalina da raiva de perder até ajudou na hora da palestra. O sono só veio depois.

A Tarde: Gostaria de ouvir sua opinião, como especialista, sobre como as pessoas devem agir caso se sentiam assim. Ou, quando o micro não funciona, e a pessoa quer dar um jeito, seja que hora for?

Mario Persona:
 Esta semana tive um problema assim com um arquivo, também corrompido. Meu primeiro impulso foi de começar tudo de novo. Estava arrasado e queria trabalhar para esquecer. Tinha trabalhado o dia inteiro naquilo. O jeito foi descansar para esfriar a cabeça. Depois de descansar um pouco, fui verificar os diretórios e acabei encontrando um arquivo temporário que era possível de ser aberto, onde estava tudo, exceto os últimos cinco minutos de trabalho. Se tivesse seguido meu primeiro impulso, teria trabalhado por horas para refazer algo que estava ali, bem debaixo do meu nariz, para ser recuperado.

A Tarde: O que você acha dessa nova "interface" do ser humano, que hoje já admite dizer que não consegue mais viver sem a Internet, sem a tecnologia, sem o computador, sem o celular, sem instalar um programinha novo no PC etc?

Mario Persona: 
Este mês fui entrevistado por uma revista sobre a perda de tempo que isso causa, e como fazer para evitar isso. Como o assunto seria muito amplo -- perdemos tempo com hardware, com software, com Internet, etc. -- decidi falar só de e-mail. É uma excelente ferramenta, mas pode ser um tirano e ladrão do tempo, se perdermos o controle.

De uma maneira geral, é preciso reassumir o controle do tempo que acaba sendo invadido pela dependência tecnológica. Pode virar um vício, uma droga que nos escraviza. Meu controle envolve evitar instalar qualquer programa novo que não seja estritamente necessário ao meu trabalho. Internet, só para pesquisa e quase nada para navegar sem destino. E-mail ainda é o maior problema, pois assino várias newsletter de informação e conhecimento, que é minha área, e preciso ler para me manter atualizado. Mesmo assim, tenho evitado assinar outras ou mesmo cancelei algumas que percebi que não lia.

A Tarde: Você poderia dar seu depoimento? Que conselhos você daria a uma pessoa que está nessa situação? Ou perto dela? E você? já viveu algo semelhante? Conhece alguém assim?

Mario Persona: 
A sensação de ficar longe do e-mail é, na minha opinião, a mais complicada para mim. Uso exaustivamente essa ferramenta, mesmo quando viajo e levo meu notebook. Até escrevi uma crônica sobre a dificuldade do profissional da geração Internet que trabalha em viagens e precisa se conectar do quarto do hotel. Veja em http://www.mariopersona.com.br/estrelas.html

A Tarde: Ou mais: como exemplo, citaria até a situação de a pessoa ter mais de três contas de e-mail. Isso, a seu ver, também seria uma forma de ansiedade ou dispersão? o que acha disso?

Mario Persona:
 Hoje é preciso ter mais de uma conta de e-mail, às vezes até por segurança ou prevenção. Aconselho que toda pessoa tenha pelo menos três contas. Uma da empresa onde trabalha, a qual não deve ser utilizada para seu relacionamento pessoal ou mesmo profissional de longo termo. Digo isto porque você pode construir todos os seus relacionamentos exclusivamente em cima de um endereço de e-mail comercial e depois sair daquele emprego, ficando inacessível a toda a sua rede de amigos ou possíveis clientes, fornecedores, empregadores ou parceiros.

Ao contrário de um endereço físico, por exemplo, o telefone da empresa onde você trabalha, que continua funcionando depois de sua saída e pode ser útil para alguém encontrá-lo, o e-mail é desativado e a pessoa passa a receber apenas mensagens de erro. Você ficará inacessível, a menos que o remetente tenha como entrar em contato com sua empresa e tente encontrá-lo, o que fica mais difícil quanto maior a empresa.

Mantendo um e-mail pessoal e divulgando-o para toda a sua rede de relacionamentos, mesmo seus contatos comerciais, evita que você caia no limbo dos e-mails perdidos. Uma terceira conta, de preferência dessas de provedores gratuitos, é útil para ser usada nesses sites de Internet que pedem seu e-mail e depois enviam propaganda. Obviamente você não deve usar essa conta para contatos importantes.  

UM CONTADOR DE HISTÓRIAS

Com seu estilo inconfundível, o palestrante Mario Persona transforma grandes questões em conceitos simples e de fácil compreensão para qualquer audiência.

Um fino senso de humor e talento de cronista, aliados à experiência empresarial, lhe permitem extrair do banal o extraordinário e transformar "causos" corriqueiros em analogias perfeitas para a vida, carreira e negócios.

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