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Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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25/04/2009 Susan Boyle e o Elo Perdido
por Mario Persona

Das duas, uma: ou aquela figura neandertalesca, de cabelos desgrenhados e olhos miúdos entre sobrancelhas cerradas e maçãs salientes, é uma pegadinha, ou o programa "Britain's Got Talent" acaba de encontrar o elo perdido.


http://www.youtube.com/watch?v=z1qSYP-dsZM

Das duas, nenhuma. Aquela caricatura de mulher é Susan Boyle e sua presença no palco abre um tonel de zombarias. Quando Susan revela seu sonho de ser cantora profissional, como Elaine Paige a canadense Ellen Page, com metade da sua idade e um terço do seu peso*, a plateia debocha.

No júri, a atriz Amanda Holden, emoldurada pelo cético Piers Morgan e pelo acético Simon Cowell, se esforça para fazer cara neutra de paisagem, mas seu belo rosto parece dizer: "Isso vai ser divertido". Pelo menos até a voz de Susan acentar os primeiros acordes de "I dreamed a dream". Aí o queixo de Amanda cai, literalmente.

A platéia vai ao delírio. Em poucos dias Susan Boyle é vista mais de cem milhões de vezes no Youtube e muito mais na mídia global. O título da obra de Victor Hugo, "Os miseráveis", que a canção evoca é emblemático.

Susan Boyle é uma miserável cantando para miseráveis. Feia, deficiente e sem jamais ter tido um namorado, ela é tudo aquilo que nenhum de nós gostaria de ser, mas somos. Quando começa a cantar, porém, até Amanda Holden quer ser Susan. Ela aplaude de pé, e o jogo de câmeras contrasta o seu corpo esguio com a silhueta de canhão que ribomba no palco.

Talvez o correto não seja dizer que 'somos' miseráveis, mas sim que 'estamos' miseráveis, do mesmo modo que hoje Susan 'está' feia e Amanda 'está' linda. Em cinquenta anos o corpo de Amanda, hoje sensual, também será canhão, e sua pele, agora de pêssego, se transformará num maracujá de gaveta. Os miseráveis no júri e na plateia aplaudem porque torcem por Susan e por si mesmos, igualmente carentes de amor e perfeição, ainda que sob diferentes camadas cosméticas.

Estranho ser, esse humano! Almejamos padrões de bondade, justiça e beleza que sempre estão muito acima do que podemos alcançar. De onde será que vem isso? Vivemos na terra, mas de olho nas estrelas, porque trazemos em nós um sentimento de infinitude. É como se Deus tivesse plantado a eternidade em nossos corações. Se é que não plantou.

O paradoxo, porém, é que esse mesmo humano, capaz de proezas do talento e do pensamento infinitamente superiores a qualquer outro ser vivo, também é capaz de atrocidades nunca vistas na mais medonha fera irracional. Matamos nossos filhos para comê-los no jantar, mas também criamos um número infinito de filigranas a partir das mesmas e perfeitas sete notas musicais, como Susan faz no palco.

E ao cantar, ela nos lembra de que existe no humano uma dignidade além do que aparentamos ser. Trata-se do sopro divino, algo que nenhum animal recebeu. Por isso Deus não desistiu de sua criação e quis Se revelar em humanidade numa Pessoa perfeita, Jesus, ainda que miserável em sua tez exterior.

É por isso que torcemos por Susan Boyle, como quem torce pela Fera da Bela, pelo Corcunda de Notre Dame e pelo Frodo dos pés peludos de "O Senhor dos Anéis", vivendo sob a contínua tentação do anel. Nós nos identificamos com heróis fracassados porque acreditamos que ainda podemos ser amados, resgatados e transformados desta miserável condição. É como se sentíssemos saudade do Paraíso.

Susan Boyle não é o elo perdido. Ela apenas revelou que o elo existe, mas não com algum símio ancestral. Sob aquela semelhança feia, miserável e transitória foi possível ver um ser criado à imagem de Deus. Quem estava no palco não era uma pessoa estranha. Naquele palco eu vi a mim mesmo, como Deus me vê e me ama. E também vi você.

"Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido". 1 Coríntios 13:12


* Errata: Ao contrário do que eu e milhares de sites e blogs disseram, Susan Boyle é fã de Elaine Paige e não de Ellen Page. O sotaque escocês dela me confundiu.

English version

Assista no site do programa Britain's Got Talent a versão completa do programa com Susan Boyle.

Assista aqui a versão legendada em português.

Les misérables
Versão de Cláudio Botelho para a peça no Brasil

Já houve um tempo de homens bons
De palavras gentis
E de vozes mansas.

Já houve um tempo de outros tons
E de tantas canções
E de tantas lembranças
E tanto mais
Que já não há.

Eu tinha um sonho pra viver
Um sonho cheio de esperança
De que um amor não vai morrer
E deus perdoa e não se cansa
Eu era forte e sem temor
E os sonhos eram de verdade
Não tinham preço nem valor,
Canções e sons pela cidade.

Mas a noite então caiu
E na noite tantas feras
Me rasgaram o coração
E tudo aquilo que eu sonhei.

Foi num verão que surgiu
Me oferecendo a primavera
Me prometeu mas não cumpriu,
Pois foi embora e eu fiquei.

E hoje eu sonho que vem
E nos seus braços eu me entrego.

Mas sei que é sonho e nada além
Dos velhos sonhos que eu carrego.

Eu tinha um sonho pra viver
Mas eis que a vida foi mais forte
E de repente eu acordei
Mataram tudo o que eu sonhei.

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A Fé na Era do Ceticismo - Timothy Keller
Apesar de uma minoria continuar a atacar a fé cristã, para a maioria das pessoas, a fé ocupa uma grande parte de suas vidas. Durante anos, Tim Keller formulou uma lista das dúvidas mais freqüentes dos céticos que freqüentam sua igreja em Manhattan. Em The Reason for God, ele destrincha e explica cada uma delas. Pensando nos ateus, agnósticos e céticos, Keller também construiu um pilar contra o qual os verdadeiros fiéis podem se apoiar quando forem bombardeados pelos que contestam sua fé. Por que há tanto sofrimento no mundo? Como pode um Deus amoroso deixar seus filhos irem para o inferno? Um Deus cristão não deveria ser um Deus de amor. The Reason for God vai ao cerne dessa questão religiosa e aponta o verdadeiro caminho e objetivo do Cristianismo.

Editora: Campus
Autor: TIMOTHY KELLER
ISBN: 9788535231045
Origem: Nacional
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 300
Acabamento: Brochura
Formato: Médio


E a gorjeta, doutor?


Respostas: 2 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?

Procurando mais sobre as canções de Elaine Paige, acabei parando no seu post. Fez uma excelente reflexão.

Enviado por ruben em 10/03/2010


Mario, que matéria excepcional!!
Imagine como esta impressionante experiência deve ter tocado, ou não, no coração daqueles que sabem tudo... que ditam a moda... que se acham por alguma razão no lugar de Deus ao informar seus fiéis o que é bom e o que é mau. Uau!!!
Um tapinha de luva, ou uma bofetada daquelas!
Temo que isso passe em branco como tantos casos que sucumbiram ao esquecimento da sociedade.
Mas vale a máxima:"Vivendo e aprendendo." Que aprendamos a viver...
Abraços do Gaúcho.
Emerson

Enviado por Emerson Rodrigues em 16/05/2009


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"Ser alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen

Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
gente lendo meus textos, visitando meu site, assistindo minhas palestras, costumo receber um bom número de e-mails de leitores. Mas nenhum foi tão enigmático quanto aquele que trazia apenas uma pergunta: "Por que você se chama Mario Persona?".

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
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