Mario Persona CAFE - Crônicas de vida, carreira e negócios.

"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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10/03/2009 Quando a marola bate no queixo
por Mario Persona

Quando aquele homem entrou em meu escritório de arquitetura, levantei da cadeira num salto. A princípio pensei que era um empresário que vinha encomendar o projeto que tiraria meu pé da lama.

Senti-me pequeno, diante daquele homem de cabelos pretos esticados com brilhantina, costeleta aparada a bisturi, e vestido num terno que não vinha da mesma liquidação onde eu comprara o meu. Tudo aquilo, e mais a gravata vermelha, o olhar penetrante e o aperto de mão confiante, me deram a certeza de estar diante de um grande empresário. Mas era um vendedor chileno.

Num portunhol elegante, ele começou a falar da crise e da necessidade de eu me preparar profissionalmente, fazendo-me sentir cada vez mais verme por estar ainda rastejando profissionalmente. De vez em quando seu olhar arrastava o meu para uma misteriosa pasta que pendia de sua mão esquerda. Aquele homem me visitou ainda mais uma ou duas vezes, até se convencer de que eu não podia comprar o que ele tinha para vender.

Recém casado, com dois filhos recém nascidos e um escritório recém aberto, eu tentava lidar com as contas recém vencidas. Em 1983 estava assim de arquiteto sem perspectiva e ponto de fuga, só vendendo o almoço para comprar a janta. Nos tempos do "over-night", a aplicação que tentava neutralizar os efeitos da inflação, ninguém queria deixar o dinheiro ao relento da construção civil.

Nem os militares, que já começavam a fazer as malas, enquanto o programa "Amaral Netto - O Repórter" saía do ar. Deixávamos de assistir às cenas do crescimento da Transamazônica para sentir na pele o crescimento da inflação. Até mágico que fazia dinheiro sumir perdeu o emprego. Qualquer brasileiro sabia fazer igual.

Além de mágico e arquiteto, minha carreira incluía vender portas e janelas, aquecedores solares e panelas inox. Nas horas vagas eu vendia meu violão de doze cordas, os anéis e pulseiras da esposa e velhas obturações esquecidas na gaveta. Os óculos com armação de ouro, herdados de meu pai, escaparam junto com a máquina de escrever, pois eu ainda tinha classificados de emprego para ler e currículos para preparar.

É, meu caro, quando a marola bate no queixo a gente engole o orgulho, engaveta o diploma e vira pau pra toda obra. Uns viram palestrantes, outros constroem pousadas no Nordeste e há ainda quem viaje para tentar a sorte no exterior. Mas, na situação atual ouvi dizer que tá assim de americano tentando a sorte em Governador Valadares.

Em meu currículo da época, além de arquiteto, eu incluía as atividades paralelas que, apesar de insuficientes para o leite das crianças, me livravam do estigma de desempregado. Dizer que está parado é dar a si mesmo um atestado de imobilidade e falta de espírito empreendedor.

Depois de desistir de vez de vender o que tinha na maleta, o visitante decidiu contar sua história de empresário no exílio. Perdeu tudo e saiu do Chile com a roupa do corpo, aparentemente um terno italiano. A experiência, a habilidade e a disposição vieram escondidos de Pinochet no cérebro que trazia sob o cabelo engomado.

Tirando sua bagagem, no mais éramos iguais e estávamos no mesmo barco, apenas vítimas de diferentes crises. Para ele, vender de porta em porta não era um declínio em sua carreira, mas uma adaptação circunstancial de quem está prestes a retomar o rumo. Para mim, em início de carreira, a experiência do chileno servia de aprendizado. Finalmente ele abriu a maleta. Encaixadas em nichos de veludo vermelho, vi uma dúzia de fitas cassete de um curso de leitura dinâmica que meu orçamento não permitia tocar.

Dos dois cursos que o chileno me ofereceu, peguei o grátis, o curso de sobrevivência na crise. Aquele chileno era alguém que eu precisava imitar. Ele tinha trilhado todo o caminho, de empresário a vendedor no exílio, mas não se considerava no fim da picada. Aquela atividade era apenas o ponto de partida de seu caminho de volta.

Tão sedutor foi o seu discurso que no dia seguinte eu estava na biblioteca municipal retirando um livro que ensinava leitura dinâmica. No caminho de volta, apertei o cinto até o último furo e comprei uma maleta e um tubo de brilhantina.

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Carreira: que rumo seguir? - Gutemberg B. de Macêdo

Descrição: Como fazer para se destacar e construir uma carreira vitoriosa num universo cada dia mais competitivo? Quais os erros inconscientes que as pessoas cometem e que jogam por terra qualquer chance de sucesso profissional?

Se você vem buscando respostas para essas perguntas, então este livro foi feito sob medida para você. "Carreira: que rumo seguir?", de Gutemberg B. de Macêdo, revela quais os fatores que realmente determinam se uma pessoa será bem-sucedida profissionalmente ou se desempenhará apenas um papel de coadjuvante, servindo de "escada" para o sucesso dos outros. Macêdo, um dos principais consultores de carreira do Brasil, mostra, entre outras coisas, por que pessoas talentosas nem sempre alcançam a projeção que merecem e outras não tão capacitadas conquistam importantes posições de liderança em grandes organizações. Para Macêdo, o que faz a diferença é uma carreira bem planejada e que permite ao profissional trabalhar naquilo que realmente gosta. Só assim ele encontrará no trabalho a sua verdadeira realização.

Editora: Gente
Autor: GUTEMBERG B.DE MACEDO
ISBN: 8573124679
Origem: Nacional
Ano: 2005
Edição: 1
Número de páginas: 168
Acabamento: Brochura
Formato: Médio


E a gorjeta, doutor?


Respostas: 1 Pessoa comentou. E você, qual é sua opinião?

Revigorante este artigo.
É o tipo de lição que deve estar sempre na cabeceira da nossa existência, independente da idade, dos objetivos e do grau de complexidade da situação.

Meu pai, que caminha a passos largos para seus 90 anos, cultiva essa aparência de brilhantina e mala executiva, comunicando de forma eficaz que está sempre pronto, preparado e motivado para qualquer coisa, ainda que seja apenas para limpar a gaiola do coleirinho que lhe faz companhia, experimentar algumas notas novas no seu velho cavaquinho, ou enfrentar uma cirurgia arriscada.

Brilhantina hoje em dia pouco me ajudaria pela escassêz da área de cobertura :-), mas acredito que aparência fresh, disposta, revigorada e otimista que a "atitude brilhantina" produz é algo que devemos lutar para manter.

Essa disposição mental positiva de seguir sempre em frente e acreditar é que nos mantém vivos, lúcidos.
Nem que para isso tenhamos que apertar o cinto da esperança até o último furo, todos os dias.

Enviado por Enio Souza - Designer Gráfico em 18/03/2009


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Livros de Mario Persona

"Ser alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen

Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
gente lendo meus textos, visitando meu site, assistindo minhas palestras, costumo receber um bom número de e-mails de leitores. Mas nenhum foi tão enigmático quanto aquele que trazia apenas uma pergunta: "Por que você se chama Mario Persona?".

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
Isabel Allende



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