Mario Persona CAFE - Crônicas de vida, carreira e negócios.

"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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20/02/2009 Constipação econômica
por Mario Persona

Desembarquei em Nova Iorque sentindo-me grande. Não do tipo "I'm king of the hill, top of the heap", cantado por Sinatra em "New York, New York". Grande em volume. Sabe o tal de "if I can make it there, I'll make it anywhere" da letra da música? Conversa mole. Por enquanto, nem em Nova Iorque, nem "anywhere". Estou constipado pra valer.

Pelo menos me solidarizo com a economia norte-americana, que também está com prisão de ventre. Não adianta aumentar o input que o output continua zero. Travou. Mesmo assim sinto-me em vantagem por ser brasileiro.

Crise no Brasil é comadre. Brasileiro vê a dita cuja chegar e vai logo dizendo pra patroa preparar o quarto de visita. Ela vem, fica uns tempos, e depois se despede com um "até logo". Nos EUA não. O pessoal só ouviu falar de uma tal de Vinte-e-Nove, mas de lá para cá reinou mesmo a farra do consumo. Agora a onda de falências e falcatruas prova que estava tudo errado. A população, acostumada a gastar o dinheiro que não tinha, agora quer poupar o dinheiro que não tem. Mudanças de comportamento já pipocam por aqui, e colecionei algumas.

Se antes você não pedia desconto em loja nos EUA, para não morrer de hipotermia com o olhar do vendedor, agora até operadora de celular dá desconto antes de você dizer alô. Dono de imóvel de aluguel, então, nem se fala. As bibliotecas vivem cheias. É o melhor lugar para se procurar emprego, não só por causa da Internet de graça, mas por poder deixar desligado o aquecimento de casa. As vendas de pés-de-cabra aumentaram, o que pode indicar que muita gente está investindo numa carreira alternativa e sabe que as bibliotecas andam cheias.

Mas tem gente ganhando honestamente com a crise. Hotéis e restaurantes em estações de esqui próximas de Nova Iorque recebem turistas que antes viajavam para mais longe. Empresas que decoram casas para vender também estão faturando, mesmo que as casas continuem encalhadas. Roupas sem grife agora são "in", e o macarrão instantâneo nunca foi tão comido. Tá ruim para a alimentação natural que é mais cara? Não sei, porque a procura por tratamentos alternativos de saúde aumentou. O pessoal quer distância da conta do médico e do hospital.

A procura por cursos que ensinam a otimizar recursos e reduzir custos cresceu 40%. A venda de chocolate também está fazendo o americano crescer porque acalma. Um entregador de comida contou num programa de rádio que suas gorjetas aumentaram. Quem estava acostumado a dar gorjetas de até 20% em restaurantes agora é o novo cliente de comida chinesa em casa.

Enquanto isso o governo continua em sua missão impossível de ressuscitar dinossauros, quando devia dar mais atenção às lagartixas. Não é possível querer que tudo volte a ser como dantes no quartel do desperdício desenfreado de Abrantes.

O próprio desenho das cidades é ineficiente. As casas são tão espaçadas que tem madame que tira seu SUV da garagem para pegar correspondência na caixinha de correio da calçada. Numa sociedade extremamente individualista e onde o sucesso é medido pelo número de suítes da mansão que as mexicanas faxinam, morar em prédio de apartamentos ou casas geminadas ainda é visto como coisa para "loosers", apesar de ser mais racional e eficiente. Acho que vai ser difícil mudar a cultura de um povo que acredita que ser feliz é andar de limusine do tamanho de um quarteirão e se diverte esmagando carros semi-novos com caminhões de pneu balão.

Enquanto "recuperar" for sinônimo de ressuscitar o modelo econômico jurássico de endividamento que vigorou até agora, e que nós brasileiros queremos imitar colecionando carnês, nada será recuperado. A cura da constipação não é comer mais, é comer diferente. Forçar a barra não adianta, e a senhora que vi no aeroporto de São Paulo, minutos antes de embarcar, é prova disso. Ao sair do banheiro, de braço dado com quem parecia ser sua filha, a septuagenária anunciou num volume equivalente à sua perda auditiva, para todo o aeroporto ouvir:

- Tá vendo? Fui outra vez e não saiu nada!

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Colapso: Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso - Jared Diamond
Diamond mostra como o colapso global pode ser evitado, analisando civilizações do último milênio, e investiga por que umas se extinguiram enquanto outras prosperam. Mostra como as causas ambientais (mudança climática causada pelo homem acúmulo de lixo químico, falta de energia e superutilização da capacidade de fotossíntese), mais que guerras de povos e culturas. Explica o que seriam as decisões autodestrutivas mais recorrentes na História, com o objetivo de evitar catástrofes coletivas e reverter valores incorporados às sociedades.
Editora: Record
Autor: JARED DIAMOND
ISBN: 8501065943
Origem: Nacional
Ano: 2005
Edição: 1
Número de páginas: 685
Acabamento: Brochura

E a gorjeta, doutor?

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"Ser alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen

Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
gente lendo meus textos, visitando meu site, assistindo minhas palestras, costumo receber um bom número de e-mails de leitores. Mas nenhum foi tão enigmático quanto aquele que trazia apenas uma pergunta: "Por que você se chama Mario Persona?".

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
Isabel Allende



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