Mario Persona CAFE - Crônicas de vida, carreira e negócios.

"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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14/12/2007 Camões, go home!
por Mario Persona

Esta pode ser a última vez que falo com você. Por que? Porque vai cair meu link. Nem Internet eu vou poder usar e ninguém mais vai ter endereço de e-mail. Eu não vou mandar e você não vai receber. Depois que o estrangeirismo virar contravenção, nem trabalhar eu vou poder.

E como poderia trabalhar com marketing? Meus clientes jamais iriam entender uma propaganda politicamente correta que anunciasse: "Fazemos planejamento de mercancia". Por falar nisso, vou correr fazer backup dos serviços que já fiz, porque daqui a alguns dias o backup não vai mais funcionar.

O projeto anti-estrangeirismo volta e meia volta, e agora foi até aprovado. O autor é o deputado Aldo Rebelo do PCdoB, a quem eu gostaria de perguntar se "Partido Comunista" é mesmo do Brasil. Sabe o que vai acontecer? Nadinha. As pessoas vão continuar dizendo "Ok" porque é mais fácil do que dizer "Está bem".

Se os primeiros habitantes desta terra tivessem se protegido dos estrangeirismos eu estaria escrevendo em tupi, macro-jê ou num dialeto qualquer desses troncos lingüísticos nativos. Nada do português yankee que aportou aqui há meros 500 anos. Seríamos obrigados a devolver a língua de Camões, a qual Pero Vaz de Caminha usou para selar sua famosa carta.

Não existe idioma original. Tirando as línguas que surgiram na Convenção de Babel, todo idioma é uma colcha de retalhos emprestados, cortados, tingidos e costurados. O folklore que nossos avós falaram virou folclore, e nossos netos vão aprender na escola a conjugar os verbos deletar e zipar. Pode escrever, é assim que funciona. O estrangeirismo de hoje será o português de amanhã.

Idiomas são dinâmicos, impossíveis de serem mantidos intactos numa redoma. A verdade é que a palavra ou expressão que comunicar melhor uma idéia vai prevalecer, seja ela em português ou sânscrito. Não sei onde ouvi que existe uma lei que diz que a tendência dos sistemas complexos é ficarem mais simples. Não é a lei do Aldo Rebelo, é outra. Por isso hoje falamos "você" em lugar de "vossa mercê".

Quem traduz sabe que o inglês é um idioma mais curto. Uma tradução para o português ganha uns 10% a mais de letrinhas, e é por isso que as palavras inglesas mais enxutas acabam emplacando. E nem elas a gente perdoa. Quando o goal inglês desembarcou aqui nós o transformamos no gol português.

Se você for um náufrago numa ilha deserta e tiver cocos para escrever apenas três letras na praia, o que vai escrever, SOC ou SOS? Não, "SOS" não é abreviatura de "Sou O Sobrevivente", mas de "Save Our Souls". O idioma não é um fim em si mesmo, mas uma ferramenta à disposição da comunicação. Peças conservadas em museus são belas, mas nada práticas.

Mas, se mesmo assim a tal lei pegar, o jeito é correr tirar xerox de todos os seus documentos. Depois o garoto da copiadora não vai entender se você pedir cópias reprográficas. É provável ainda que as cópias voltem a ser à mão, pois as copiadoras eletrônicas deixarão de funcionar quando proibirem o chip e o software.

Sorte de quem acabou de fazer um leasing, porque não vai precisar mais pagar, e o call center não vai ligar cobrando porque também não vai existir. Azar de quem recebe hollerith ou comprou um fax, porque não vai funcionar. Máquinas fotográficas? De agora em diante virão sem zoom e sem flash, mas no camelô talvez encontre alguma feita no Paraguai já legalizada, com zum e fléche. Os computadores virão sem modem e vamos voltar a usar calça social. Nada de jeans.

Mas não pense que isso é implicação do governo só com a língua inglesa. Não é. Acabou a happy hour em restaurante de sushi. E nem pense em pizza como opção, porque não vai ter. Não me pergunte como as coisas vão acabar em Brasília. O bom é que agora a gente vai se livrar dos cantores de karaokê, mas também acabou o banho de ofurô.

Bem, pode ser que permitam aportuguesar as palavras, como já fizemos com o sanduíche. Mas não sei se quem gosta de rock vai trocar por roque, pop por pópi e hip-hop por ripirrópi. Ou se os saudosistas aceitarão traduzir big band para banda grande, fox-trot para trote de raposa e querer ouvir "Os Besouros" e "As Pedras Rolantes" em seu iPod. Xi! iPod pode? Talvez o reencontro do "Dirigível Conduzido" nem venha para o Brasil. Estão suspensos todos os shows.

As mulheres também serão grandes prejudicadas. Ficará difícil encontrar blush, rímmel, shampoo, ou laqué spray. E ninguém mais vai usar soutien ou bikini, nem vestir tailleur ou prêt-à-porter. As mais medrosas vão evitar o computador nacional com medo do rato, e aquela receita de strogonoff da sogra vai virar picadinho. Sem champignon, nem sobremesa com chantilly.

Os deputados que aprovaram a tal lei provavelmente não mediram suas conseqüências. Quem viaja a Brasília sabe que os vôos mais cheios são os que chegam lá nas terças e os que saem de lá nas quintas. Se já leva esse tempão para visitarem suas bases, agora as excelências vão demorar ainda mais, pois serão obrigadas a ir de carro. Ninguém vai conseguir fazer check-in.


POSFÁCIO

Minha última crônica, "iPod compulsório", agora pode ser vista e ouvida na www.tvbarbante.blogspot.com, com direito a efeitos sonoros especiais.

Graças ao www.tubemogul.com agora a TV Barbante pega em vários canais com som e imagem digitais: YouTube / Yahoo! / MySpace / MetaCafe / Google / Revver / DailyMotion / Blip / Veoh / Brightcove / Crackle / StupidVideos

Aquela crônica rendeu vários comentários. Um leitor escreveu dizendo-se admirado por eu conseguir reagir com bom humor ao aborrecimento de ser acordado pelo som do DJ de Saveiro.

Bom humor não foi minha primeira reação. Primeiro eu pensei em homicídio, depois em lesão corporal, danos patrimoniais e, por último, em bom humor. Foi a única reação que não se enquadrava em nenhuma lei.

Mas hoje, acordado novamente às 3 da matina pelo DJ da Saveiro que devia estar a caminho do dentista para tirar uma radiografia do cérebro, decidi escrever sobre uma lei, mas não a do silêncio. Se a lei que proíbe os estrangeirismos também proibir "DJ", então eu aprovo.


Quer salvar em seu micro? Clique aquicom o botao direito do mouse e escolha "salvarlink" para fazer download. Lento? Tente estas opções:YouTube/ Yahoo!/ MySpace/ MetaCafe/ Google/ Revver / DailyMotion / Blip / Veoh / Brightcove/ Crackle / StupidVideos
Em qualquer uma dessas opções você encontra o script para colar este vídeo em seu blog.

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1001 (Mil e Um) Estrangeirismos
JOSE DE NICOLA, ERNANI TERRA e LORENA MENON
Com o sucesso de 1001 Dúvidas de Português, os autores Ernani Terra e José De Nicola, que há mais de vinte anos lecionam e publicam diversas obras voltadas ao ensino da língua portuguesa, se juntaram à autora Lorena Menón, todos estudiosos do universo lingüístico, para selecionar 1001 estrangeirismos de uso cotidiano no Brasil que consideram os mais recorrentes na língua portuguesa.

Os estrangeirismos sempre estiveram presentes na língua portuguesa. A maior ou menor intensidade da presença estrangeira na língua vernácula vincula-se a diferentes influências, sejam econômicas, tecnológicas ou culturais. Esses termos ou expressões se incorporam à realidade lingüística sem a menor cerimônia, nos mais diversos espaços: da ciência, da tecnologia, da diplomacia, dos esportes, da culinária, da moda, etc. Muitos desses estrangeirismos passam a integrar a língua que se aprende em casa, na rua, no trabalho. Língua falada, língua viva. Outros, simplesmente passam: não vão além da efemeridade do modismo.

Neste livro, os autores apresentam 1001 verbetes, em ordem alfabética, que acabam por remeter a cerca de 3000 termos e expressões corriqueiros nas mais variadas situações de nosso cotidiano: de expressões latinas tradicionais no campo jurídico aos termos mais recentes da Era da internet.


E a gorjeta, doutor?


Respostas: 1 Pessoa comentou. E você, qual é sua opinião?

Depois de ler seu artigo Camões, go home! Tive a sensação de que quase tudo é em inglês. Muito bom mesmo.
A princípio havia gostado da idéia da tal lei, pensando que devemos valorizar mais a nossa língua. Mas quem sou eu? Agora o deputado, queria mesmo saber o que o dito cujo pensou, será uma certa implicância com os marketeiros? primeiro tiraram os outdoors e agora isso. Se bem que, depois dessa nova lei aí "outdoor" teria seu fim de um jeito ou de outro, hahaha!

Enviado por Carolina em 18/12/2007


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"Ser alguém é ter uma história para contar."
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Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
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"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
Isabel Allende



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