Mario Persona CAFE - Crônicas de vida, carreira e negócios.

"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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11/11/2007 Meu carro sumiu!
por Mario Persona

Não ligo para carro, não leio revista especializada e não sou apaixonado pelo meu. É claro que ele facilita minha vida e passo horas sentado ali, mas seria isso motivo para paixão? Meu vaso sanitário também facilita minha vida, passo horas sentado ali, e até gosto de ler quando estou nele. Mas não revistas sobre privadas.

Eu achava que esse desinteresse por carros fosse coisa só minha, mas tem mais gente assim. Há alguns meses, na busca por um carro novo, o vendedor de uma concessionária ficou surpreso quando não me interessei em fazer um test-drive. Tinha rodas, portanto devia andar. Dispensei até a abertura do capô. Eu tinha certeza que o motor estava lá. Tem gente que pede para abrir, mas se colocarem ali um aspirador de pó a maioria não vai notar a diferença.

O vendedor contou que profissionais de criação, publicitários e artistas são assim, costumam não ligar para motor, câmbio, transmissão... Concentram-se no projeto, na funcionalidade e no conjunto estético da obra. Bem, o vendedor não falou bonito assim, eu inventei. Mas foi o que ele quis dizer.

Fazia sentido, pois saí dali sem comprar aquele modelo por falha no projeto. Os retrovisores externos eram grandes e fixos. Não escamoteavam, só quebravam, e no planeta onde habito há uma espécie chamada motoboy.

Apesar de não ligar para carro, meu coração disparou quando o manobrista do hotel anunciou com cara de espanto:

-- Senhor, seu carro sumiu!

Ouvir isso a 300 quilômetros de casa não é o que um cliente espera. No meu caso, nem tanto pelo carro, mas pelo tempo que iria perder com polícia, seguradora e acidez estomacal. As recepcionistas me encaravam petrificadas. Pareciam esperar pela minha explosão, como é normal quando o hotel deixa roubarem seu carro.

Resisti. Sou do tipo que acredita que tudo tem uma razão de ser. Estaria eu sendo poupado de algum acidente? Seria aquilo para eu aprender a ser paciente? Ou só para ter assunto para esta crônica? Não sei.

Também resisti à tentação de comentar o problema com as pessoas ao redor, como muitos adoram fazer. Já passou por isso? O cara se vira para você na fila e repete tudo o que você ouviu ele dizer para a balconista. Ele espera que você faça cara de simpatizante, como se isso fosse resolver alguma coisa.

Isso acontece no intervalo, quando a balconista desaparece dizendo que vai chamar a pessoa responsável. Pura técnica para esvaziar fígados. O cara vai contar a mesma história duzentas vezes, e cada balconista vai chamar outra até ele ficar afônico.

Por isso aguardei em silêncio. Teria o meu carro sido roubado na frente do hotel na noite anterior? Era possível. Cheguei tarde e entreguei a chave no balcão. Ou foi surrupiado da garagem? Era o que tentavam descobrir, mas erraram ao me envolver na busca.

O cliente não precisa saber o que acontece nos bastidores. Já pensou um restaurante com transmissão direta da cozinha?

"Senhora, neste momento estamos lavando a alface de sua salada. Já providenciamos a remoção das lesmas e lagartas. A salada aguarda apenas o Zezinho voltar do banheiro para ser montada..."

Em minhas palestras, me tranqüiliza saber que o público não conhece os detalhes de minha apresentação. Portanto nunca vai saber se eu esqueci de dizer algo, se o tempo não deu para falar tudo, ou se vesti a cueca no avesso. Eles não sabem, eu não digo.

Bastidores são lugares reservados para os problemas. O cliente jamais deve ser levado ali. O que importa é o que acontece no palco. E no palco eu era interrogado mais uma vez:

-- Marca do carro?
-- Peugeot.
-- Cor?
-- Prata
-- Placa?
-- Cinza com letras pretas.

Achando que aquilo seria a solução para o problema, o manobrista levou-me até a garagem para que eu não visse o carro com meus próprios olhos.

Realmente não estava lá, mas não precisava ter me levado. Como também não precisava dizer que meu carro tinha sumido. O atendimento devia guardar silêncio sobre o problema até serem esgotadas todas as possibilidades de solução.

Mais tarde, enquanto dirigia meu carro de volta para casa, fiquei ponderando sobre o assunto. O silêncio é uma ferramenta poderosa. No atendimento pode evitar entornar o caldo que ainda não está no ponto. Na oratória ele é usado na forma de pausas para realçar o que está sendo dito. Numa crônica como esta, cria um suspense e deixa o leitor morrendo de vontade de saber onde estava meu carro.

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Respostas: 14 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?

Muito boa a cronica, mas minha missao existencial agora é saber onde estava este carro de placas cinzas e numeros pretos... Parabens pelos artigos... Ailson

Enviado por Ailson Barbosa em 20/02/2010


ri muito...., mas....., não sei se gostei,acho que gostei.....por que....... deixa pra lá!!!!.vou ficar calado. obg

Enviado por SERGIO RONALDO em 22/01/2008


Caro Mario Persona

Vou me utilizar do seu suspense e de sua ode ao silêncio para dar uma de linguarudo, divulgando por onde anda Wally? (meu carro)
"http://www.gpstesouro.com/php/wolly.htm"
Lamento pelo meu momento de falar e aproveitar a oportunidade.

Enviado por Mario Câmara em 17/12/2007


Olá Mario!
Faz algum tempo que leio seus artigos de todos os seus sites. Achei pesquisando sites que tinham leitura em inglês e português e seus artigos me ajudam muito em várias áreas.
Em especial esse me proporcionou muitas risadas. Muito bom seu suspense!
Desejo muito sucesso e q Deus te abençoe sempre!

Enviado por Juliana Padovani em 06/12/2007


Poxa, sacanagem... Onde o carro estava??? =p

Enviado por Gustavo Castilho em 04/12/2007


Mario, sacanagem não falar o que aconteceu com seu carro. É óbvio que ele não havia sumido, imagino que apenas algum manobrista desatento confundiu-se com o local da vaga. Mas a crônica é excelente por nos obrigar a reflexão de que "em boca fechada não entra mosquito".Parabéns.
José Luiz - s.paulo/sp.

Enviado por José Luiz em 30/11/2007


Caro Mário,
Para mim basta saber que voce recuperou o carro. Ainda bem!
Gostei mesmo é de pensar como, realmente, o silêncio deve preservar o que acontece nos bastidores.
Adoro o silêncio!!!
Um abraço
pat

Enviado por Pat em 26/11/2007


Meu caro como sabes, Persona era o nome da máscara que os atores do teatro grego usavam. Sua função era tanto dar ao ator a aparência que o papel exigia, quanto amplificar sua voz, permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores. Pergunto: será que seu carro usou alguma "persona"??? De um bom e velho "fuquinha 66" ???

[]s
Verissimo :-)

Enviado por Carlos Verissimo em 17/11/2007


Pô Mário,,, eu tenho que viajar!!!

Vou ter que ficar te perseguindo para saber o desfecho????

Foi o Cap. Nascimento que recuperou o carro???

Enviado por Gilberto Silva em 15/11/2007


Onde estava o carro? acho que em vaga errada....

Enviado por Márcia Gisele em 14/11/2007


É divino quando leio cronicas tão bem elaboradas e sensatas, beijos em seu coração.

Enviado por Maria Regina em 14/11/2007


Ahhh! Deixa esse carro pra lá. Queria mesmo era ter lido mais sobre silêncios...

Enviado por Ilka em 14/11/2007


Brilhante crônica, vou encaminhar pra minha equipe!
MAS...
Onde estava o carro??

Enviado por Daniel em 13/11/2007


Nossa! Onde estava seu carro? Você não vai deixar seus leitores na mão assim não é Mario Persona? Eu assino seu RSS já há um bom tempo, não leio todas as cronicas, por motivos de força maior :). Entro no meu e-mail e sei que se começar a ler, tenho que ir até o fim. Mas geralmente, como sempre, eu não estou muito com vontade de ler. Então sem piedade e sem CURIOSIDADE jogo sua cronica na lixeira. Mas hoje como todo bom curioso quando vi o titulo da sua cronica, pensei: "Roubaram o carro do Mario Persona!? Vou ter que ler o que aconteceu". Pois é, acabei ficando com mais curiosidade do que quando tinha lido apenas o titulo. Hoje foi um daqueles dias que você aposta tendo certeza que vai ganhar, onde aos 16min do segundo tempo você está ganhando de 3 a zero. Então, são necessários 13 minutos para o time adversário empatar a partida. Relaxei! :P

Enviado por Pablo Rafaelo Si em 11/11/2007


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"Ser alguém é ter uma história para contar."
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Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
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Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
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Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
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"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
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