Mario Persona CAFE - Crônicas de vida, carreira e negócios.

"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

Mario Persona CAFE

Últimas - Mario Persona CAFE Arquivos - Mario Persona CAFE Receba - Mario Persona CAFE Envie - Mario Persona CAFE Contato - Mario Persona CAFE

Quer publicar estas crônicas em seu site?

[Anterior: "O bêbado e a equilibrista"] [Página Inicial] [Próximo: "O saco grande"]

27/05/2007 Uma palavra só
por Mario Persona

Um frio percorreu minha espinha ao receber nos braços aquele volume peso-pena. Peso e pena foram também os sentimentos que se aninharam em meu peito enquanto meu cérebro parava de funcionar, como não devia estar funcionando quando tomei aquela decisão.

A idéia da adoção havia brotado nos inescrutáveis recônditos da fé e do coração, um universo à parte da razão. Teria feito a coisa certa? Agora já não importava. O que recebia não era um vasilhame retornável, mas um ser humano nem um pouco descartável.

Olhei para aqueles quatro anos de criança acondicionados num corpinho esquálido que não aparentava mais do que um ou dois. Pedro não falava e os médicos apostavam que nunca seria capaz de falar. Tampouco seria capaz de andar ou coordenar seus movimentos com precisão. Pedro sofria de paralisia cerebral.

Suas deficiências lhe impediam de se comunicar e os únicos estímulos que chegavam ao seu cérebro vinham dos quatro sentidos que restavam, pois também nascera cego. Sua chegada em 1986 foi um marco em meu processo de aprendizado de comunicação. Sim, seria eu quem iria aprender a me comunicar.

Quem acredita ter algo a comunicar deve dar o primeiro passo, que é aprender tudo sobre o alvo de sua comunicação. Comunicação nada mais é do que comunicar uma ação, ou fazer com que nosso interlocutor interprete e responda a um estímulo. Porém, para obter essa resposta é preciso desenvolver uma percepção capaz de interpretar corretamente o outro, o que não se faz sem envolvimento e dedicação.

O primeiro passo no desenvolvimento da percepção é abrir mão dos preconceitos e filtros que vamos ganhando à medida que os anos passam. É preciso rever nossa capacidade de perceber o mundo exterior e interagir com ele. Os estímulos que acontecem ao nosso redor -- luz, sons, cores, texturas -- não passam de estímulos. Os efeitos reais dependem de como os recebemos, interpretamos e reagimos a eles.

Postura, expressões, entonação, gestos, olhares -- tudo isso também comunica e têm um peso enorme no sucesso de uma conexão que crie uma freqüência comum aos interlocutores. Essa freqüência comum, ou rapport, permite criar uma relação de sincronismo e equilíbrio na comunicação entre duas pessoas com diferentes capacidades de recepção e interpretação de estímulos. Algo como fazer um telégrafo se comunicar com um celular.

Quando me encontrei diante do desafio de me comunicar com uma criança com múltiplas lesões precisei entender que diferenças nem sempre são deficiências. Para quem nasceu de um jeito, diferente é o outro. Provavelmente era essa a impressão que meu recém chegado filho tinha de sua nova família. Vivíamos em mundos diferentes e seria preciso construir, pouco a pouco, a ponte da comunicação entre nós.

Eu precisava descobrir como fazer essa conexão e me comunicar com uma criança que durante três anos fora privada de qualquer estímulo, presa a uma cama de maus tratos em um barraco qualquer. Nos mais de vinte anos que se passaram desde então Pedro tem sido meu melhor professor de comunicação, embora até hoje ele só tenha aprendido a falar uma palavra. E não fui eu quem ensinou.

Não se iluda que uma boa comunicação possa ser garantida por fórmulas de sucesso ou títulos acadêmicos. São seres humanos que se comunicam e nessa área nem tudo é aprendido nas universidades. Criatividade, imaginação e intuição são habilidades naturais que fazem parte do processo, como aprendi com o que aconteceu com meu filho no aprendizado da única palavra de seu vocabulário.

Embora profissionais especializados tenham tentado, a única pessoa que conseguiu lhe ensinar essa única palavra foi dona Ângela, uma faxineira que trabalhou em casa por alguns meses. Ela nunca soube o significado da palavra rapport, jamais cursou uma faculdade e mal sabia o português, mas foi capaz de abrir caminho para uma comunicação falada de mão dupla, ainda que limitada a um único verbo.

Seu método foi tão simples e ingênuo quanto deve ser qualquer método que busque encantar as pessoas. Ela simplesmente frisava muito bem que iria "cantar", e começava:

"Atirei um pau no gato-tô, mas o gato-tô...".

Pedro ficava extasiado, batia palmas, gritava, gargalhava e sacudia o corpo para frente e para trás, como sempre faz quando está alegre.

A palavra "cantar" ficou de tal forma impressa em sua mente com tintas de amor, carinho e afeição, que até hoje ele é capaz de pedir para alguém cantar usando uma forma só sua: "antá". Por isso em casa, se você ouvir alguém cantando "Atirei um pau no gato-tô...", isso só pode significar uma coisa: Pedro falou.



POSFÁCIO

Meu editor ligou para dar uma boa notícia: meu sexto e novo livro sai em Agosto. Enquanto isso, vou aguardando uma decisão de reedição dos cinco outros que já estão esgotados e só devem estar disponíveis no estoque de alguma livraria, em alfarrábios ou sites de leilão.

Esta semana fui avisado de que as cenas que a TV Record gravou aqui em casa com meu filho adotivo para uma matéria do Domingo Espetacular podem ir ao ar neste ou no próximo domingo (03/06/07). Tudo depende de Brasília, evidentemente.

Não que exista censura, mas é que no Brasil fica cada vez mais difícil publicar matéria fria -- aquela que independe de sua atualidade -- com Brasília produzindo tanta matéria quente. Falta espaço na mídia. Deve ser bem mais fácil fazer jornalismo no Brasil do que na Suíça.

Quer saia, quer não, vou abordar um aspecto do tema relacionado à comunicação na crônica de hoje, "Uma palavra só", para a qual devo usar muitas. Quem quiser ficar por dentro dos bastidores do que vai ler aqui -- ou assistir na TV se sair -- pode visitar www.stories.org.br/querocontar.

Mario Persona

resenha resenhas resumo resumos livro livros crítica críticas opinião opiniões literatura literaturas comentário comentários

Nunca aceite um não
SHELLY BRADY

Em 1954, os moradores de um bairro pobre de Portland, Oregon, viram uma coisa nova na sua vizinhança. De maleta na mão, Bill Porter andava com dificuldade de porta em porta, subindo degraus, tocando campainhas e esperando pacientemente com um sorriso e algumas palavras de saudação, pensadas com antecedência. Como Bill havia nascido com paralisia cerebral, aquele trabalho apresentava muitos desafios para ele. As pessoas que ficavam em sua rota nem sempre entendiam o que Bill estava vendendo, mas acabaram compreendendo que todos nós precisamos de pessoas como Bill Porter no mundo. Na adolescência, Shelly Brady trabalhou para Bill, observando e aprendendo com ele. Ela percebeu que a história de Bill poderia inspirar outras pessoas, assim como a inspirou. As lições que Shelly aprendeu com Bill podem parecer simples, e são mesmo, mas podem nos ensinar a viver vidas profundamente felizes e realizadas. A maior lição que Bill e Shelly têm para nos ensinar é que cada um de nós pode fazer a diferença.

E a gorjeta, doutor?


Respostas: 1 Pessoa comentou. E você, qual é sua opinião?

Parabens Mario, sua atitude foi ao mesmo tempo corajosa e admiravel, poucas pessoas teriam feito o que você fez, mas também poucas pessoas terão a recompensa que você terá um dia, que Deus abençoe sua família, parabens!!!!!!

Enviado por Michel Julierme Inácio Almeida em 29/05/2007


Publique aqui seu Comentário. Ele ficará visível nesta página. Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do autor deste blog.

Quer falar em particular? Envie um e-mail para
contato@mariopersona.com.br

*Nome (obrigatório):

E-Mail (opcional):

Site (opcional):

Comentário

Código de segurança anti-spam:
Digite aqui em letras maiúsculas)


Leia outros textos nos
arquivos.

Gostou do CAFÉ?
Anote no guardanapo e convide alguém!

De: ....
Para:
Comentário:


*Preencha todos os campos.

Mario Persona CAFE


Subscribe Free
Add to my Page

Cardápio Profissional:

Palestra Palestra com Manteiga
Planejamento Planejamento Light
Comunicação Comunicação Quente
Redação Redação com Ovomaltine
Tradução Tradução Inglesa
Experiência Experiência ao Ponto
Imprensa Imprensa na Chapa
Contato Fale com o Garçom

After Hours: Quero Contar, True Stories, Chapter-A-Day, O Pintor em Minha Janela

Copie o endereço RSS para seu leitor de feed O que é RSS?

Livros de Mario Persona

"Ser alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen

Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
gente lendo meus textos, visitando meu site, assistindo minhas palestras, costumo receber um bom número de e-mails de leitores. Mas nenhum foi tão enigmático quanto aquele que trazia apenas uma pergunta: "Por que você se chama Mario Persona?".

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
Isabel Allende



Vida, Carreira & Negócios - PodcastOneVida, Carreira & Negócios - PodcastOne


Powered By Greymatter

Copie o endereço RSS para seu leitor de feed O que é RSS?

 

 

Home | Planejamento | Comunicação | Redação | Tradução | Palestras | Coaching | Crônicas | Experiência | Imprensa | Contato

© Mario Persona Consultoria Ltda. contato@mariopersona.com.br Tel (19) 3038-4283 / Cel (19) 9789-7939 - Limeira - SP - Brasil

moving on, marketing de gente, gestão de mudanças em tempos de oportunidades, receitas de grandes negócios, crônicas de uma internet de verão


© Mario Persona

BlogBlogs.Com.Br Who links to my website?