Mario Persona CAFE - Crônicas de vida, carreira e negócios.

"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

Mario Persona CAFE

Últimas - Mario Persona CAFE Arquivos - Mario Persona CAFE Receba - Mario Persona CAFE Envie - Mario Persona CAFE Contato - Mario Persona CAFE

Quer publicar estas crônicas em seu site?

[Anterior: "Pirâmide à cambalhota"] [Página Inicial] [Próximo: "Ho! Ho! Ho!"]

05/12/2006 Prêmio e castigo
por Mario Persona

(Español)

Saí da palestra e corri para o hotel. Eram seis da tarde e queria dormir para ter fôlego para a próxima, para o pessoal do turno da noite na mesma fábrica. Coloquei o celular para despertar às 23:00 e apaguei. Tocou às 20:00 horas.

A princípio achei que tinha errado, mas era uma chamada.

-- Alô? -- respondi sonolento.

-- O senhor foi contemplado com um celular gratuito e blá-blá-blá...

Indignado com a interrupção grunhi algo e voltei a dormir. Ou pelo menos tentei.

Promoções de telemarketing ocupam o segundo lugar em meu ranking de coisas que irritam. Em primeiro está o telefone, o próprio. Dependo dele, mas não gosto. Pareço antipático quando ligam e percebem que minha fala limita-se a "sim", "não", "tá" e mais dois grunhidos. Prefiro olho no olho, ao vivo e em cores.

Celular, então, não passa nem perto de minha lista de objetos de desejo. Câmera, MP3, som polifônico? Nem ligo. Sabe que som escolho? TRRRIIIIMMM! É para ter certeza de que é meu celular que toca e não uma rádio qualquer. Experimente tocar um pedacinho de axé em um aeroporto e pelo menos cem pessoas irão conferir seus celulares.

Mesmo assim, devo ter voltado bobo da viagem, ou com um baixo número de leucócitos antipromoções. Como um zumbi, caminhei até a loja para reclamar meu prêmio. Tinha fila. Voltei no dia seguinte. Fila. Decidi esperar, mas só até alguém começar a reclamar em voz alta. Decidi voltar para a fila do dia seguinte, o terceiro. Chegou minha vez.

Expliquei que queria um modelo que falasse em todo lugar. Não precisava fotografar, filmar ou tocar, só falar. Saí de lá com um celular novo que, descobri no dia seguinte, só atendia em dez estados brasileiros. Já pensou um palestrante com um celular assim?

Voltei à loja pela quarta vez, correndo o risco de pensarem que eu trabalhava ali. O atendente informou que eu não poderia devolver ou trocar. Impossível, sentenciou o gerente, dando as costas e sumindo nos bastidores. Bobo, supliquei que devolvessem a linha para meu velho celular e voltei para casa com a caixa do prêmio inútil debaixo do braço e o rabo entre as pernas.

Nem bem cheguei, lembrei-me de ter assinado um contrato que não permitia sair da operadora por doze meses. Senti-me um verdadeiro otário. Na semana anterior eu tinha um celular velho e nenhum compromisso. Agora eu tinha um celular velho e estava algemado à operadora. O novo, mudo, não era prêmio, era castigo.

Liguei para a operadora e na próxima hora e meia visitei todos os departamentos do "Tecle isso" e "Tecle aquilo" até encontrar um ser vivo. Mas foi só na quarta tentativa que encontrei vida inteligente.

-- É absurdo! -- indignou-se a atendente -- A loja precisa aceitar a devolução sim, é lei, está no código de defesa do consumidor!

Uau! Eu tinha encontrado alguém que não fora lobotomizado pelo Doutor Script. Voltei à loja. Quinta visita. Só queria devolver o aparelho e me livrar do contrato que assinei. Contei a história de novo e ouvi um rosário de argumentos.

-- O contrato já foi para a matriz... Só o gerente pode acessar o sistema... O gerente foi almoçar... Mesmo que estivesse aqui, ele errou a senha três vezes e bloqueou... Ninguém sabe quando a central vai desbloquear... O senhor não pode ligar aqui, não temos telefone...

Essa foi a gota d'água. Uma loja de telefones que não tem telefone? Sem tortura, consegui obter do atendente a informação de onde o gerente almoçava. Logo estava eu, no restaurante, ao lado de sua mesa, cheirando a queimado. Dois outros comiam com ele. Pela penúltima vez contei minha história. A última eu contaria em minha crônica. Afinal, daria uma história e tanto.

-- Como assim, é possível sim trocar por um aparelho com cobertura nacional. E se não tivermos em estoque vamos aceitar a devolução e fazer o cancelamento desse contrato.

Quem falava era o outro, que parecia ser gerente dos gerentes, uma espécie de instância superior para resolver as causas impossíveis. Prometeu ligar e ligou no mesmo dia. Minha sexta visita à loja foi para receber um celular que fala em todo o país. Assim espero.

Ontem o telefone tocou. Era o telemarketing de um banco avisando que fui escolhido entre os seis bilhões de habitantes do planeta para ganhar um cartão de crédito e blá-blá-blá...

-- Por gentileza, você pode ler a última linha do script que tem aí na sua frente? -- interrompi.

-- Agradecemos seu interesse e esperamos atendê-lo numa próxima oportunidade -- leu o atendente, obediente como um robozinho.

-- Também agradeço. Tenha um bom dia. -- desliguei.



POSFÁCIO

Uma pesquisa do Journal of Advertising Research revelou que não é a informação, mas a emoção o que causa maior efeito em uma mensagem publicitária. Isso quer dizer que é menos importante você explicar as características de um produto e mais importante atender expectativas emocionais em relação a ele. Contar histórias é uma das maneiras de fazer isso.

Se você ainda tem dúvidas de que emoção vende, pense em Hollywood. Sabe o que mais mata na praia? Não é tubarão. As estatísticas apontam dez vezes mais mortes causadas por outro elemento praiano, não um que vem das profundezas, mas um que cai do alto no topo da cabeça. Mas não acho que alguém pagaria para ver um filme sobre o assunto. Compare...

Outra pesquisa, agora da ONU, aponta que as mídias eletrônicas já atraem mais atenção de usuários com até 55 anos de idade em todo o mundo em relação a jornais, TVs e rádio. Trocado em miúdos, jornais, TVs e rádio não formam a primeira opção de quem ainda não dobrou o Cabo da Boa Esperança, para o desespero dessas mídias.

Ah, outra coisa! Como nenhum autor escreve algo que já não tenha recebido em partículas de input de outros autores ao longo de sua, decidi tirar o fim de semana para olhar as lombadas dos livros que leio e buscá-los no Submarino. A maioria já nem existe ou não está no catálogo deles, mas os que encontrei relacionei aqui

Agora vou começar a fazer um exercício anti-Alzheimer botando os neurônios da memória para funcionar e tentar recordar livros que já li de bibliotecas ou que doei para bibliotecas.

Minha curiosidade? Ter uma visão ampla das obras que, junto com as experiências de vida, ajudaram a compor meu pensamento e alimentar meu fogo de idéias. Uma brincadeira maluca, mas melhor do que fazer palavras cruzadas para quem passou dos cinqüenta.

Boa leitura,

Mario Persona


resenha resenhas resumo resumos livro livros crítica críticas opinião opiniões literatura literaturas comentário comentários

O Conhecimento em Rede
CARLOS NEPOMUCENO e MARCOS CAVALCANTI

Carlos Nepoumuceno e Marcos Cavalcanti, profissionais e pesquisadores que trabalham há mais de 15 anos com rede e conhecimentos, apresentam um resumo de suas experiências, partindo de duas perguntas essenciais: O que a rede agrega, em termos de mudança, ao conhecimento humano (e como ele muda em rede)? Como as instituições devem se preparar para o resultado desta equação?

As repostas para esses questionamentos serão construídas pelo próprio leitor ao longo de um texto provocativo e instigante. É um livro pioneiro, leitura indispensável para aqueles que têm a percepção das mudanças e querem entender melhor como e por que essas mudanças acontecem, para se preparar melhor para os futuros desafios no que diz respeito à gestão de conhecimento e ao desenvolvimento de websites e portais corporativos.


E a gorjeta, doutor?


Respostas: 4 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?

Mario Persona, acabei de ler seu blog como requisitado pela professora do curso e acredito que passarei a ler todos os dias.
Muito bom mesmo.

Enviado por Sushi Wolff em 21/06/2010


Mario, muito legal a sua iniciativa de compartilhar a lista de livros que influenciaram o seu pensamento.

> Boa leitura
Certamente será! Grande abraço!

Enviado por vinicius em 12/12/2006


Muitas empresas preocupam-se com Qualidade em Atendimento enquanto outras parecem nunca terem ouvido falar nisso. É complicado a falta de respeito que algumas cometem com os consumidores. De quem é a culpa? Das empresas em si ou dos funcionários que tem na maioria das vezes má vontade de atender, de resolver problemas? Complicado responder! Adoro suas crônicas Mário. Abração.

Enviado por Leandro em 08/12/2006


Olá,
Venho através deste expressar minha admiração pelo seu trabalho, o qual reflete a sua pessoa e, ao mesmo tempo, pedir orientações de como voltar ao mercado de trabalho, como professora universitátia e fazer o meu doutorado (tenho 9 cadeiras feitas na UFRGS do Doutorado em Informática na Educação (7) e na EDucação (2). Isso devido ter acontecido uma tragédia e ter que retornar ao interior, mais especificamente Tapera (RS).

Abraços
Margaret

Enviado por Margaret Simone Zulian em 05/12/2006


Publique aqui seu Comentário. Ele ficará visível nesta página. Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do autor deste blog.

Quer falar em particular? Envie um e-mail para
contato@mariopersona.com.br

*Nome (obrigatório):

E-Mail (opcional):

Site (opcional):

Comentário

Código de segurança anti-spam:
Digite aqui em letras maiúsculas)


Leia outros textos nos
arquivos.

Gostou do CAFÉ?
Anote no guardanapo e convide alguém!

De: ....
Para:
Comentário:


*Preencha todos os campos.

Mario Persona CAFE


Subscribe Free
Add to my Page

Cardápio Profissional:

Palestra Palestra com Manteiga
Planejamento Planejamento Light
Comunicação Comunicação Quente
Redação Redação com Ovomaltine
Tradução Tradução Inglesa
Experiência Experiência ao Ponto
Imprensa Imprensa na Chapa
Contato Fale com o Garçom

After Hours: Quero Contar, True Stories, Chapter-A-Day, O Pintor em Minha Janela

Copie o endereço RSS para seu leitor de feed O que é RSS?

Livros de Mario Persona

"Ser alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen

Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
gente lendo meus textos, visitando meu site, assistindo minhas palestras, costumo receber um bom número de e-mails de leitores. Mas nenhum foi tão enigmático quanto aquele que trazia apenas uma pergunta: "Por que você se chama Mario Persona?".

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
Isabel Allende



Vida, Carreira & Negócios - PodcastOneVida, Carreira & Negócios - PodcastOne


Powered By Greymatter

Copie o endereço RSS para seu leitor de feed O que é RSS?

 

 

Home | Planejamento | Comunicação | Redação | Tradução | Palestras | Coaching | Crônicas | Experiência | Imprensa | Contato

© Mario Persona Consultoria Ltda. contato@mariopersona.com.br Tel (19) 3038-4283 / Cel (19) 9789-7939 - Limeira - SP - Brasil

moving on, marketing de gente, gestão de mudanças em tempos de oportunidades, receitas de grandes negócios, crônicas de uma internet de verão


© Mario Persona

BlogBlogs.Com.Br Who links to my website?