Mario Persona CAFE - Crônicas de vida, carreira e negócios.

"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

Mario Persona CAFE

Últimas - Mario Persona CAFE Arquivos - Mario Persona CAFE Receba - Mario Persona CAFE Envie - Mario Persona CAFE Contato - Mario Persona CAFE

Quer publicar estas crônicas em seu site?

[Anterior: "Vôo 1907 - Desastre na selva da informação"] [Página Inicial] [Próximo: "Como escrever em "n" lições"]

12/10/2006 Sou apolítico
por Mario Persona

Ok, hoje vou revelar o que você sempre quis saber de mim mas tinha vergonha de perguntar. Sou apolítico. As pessoas se assustam quando digo que sou apolítico, como se fosse palavrão. Não que eu não me interesse por política. Eu até me interessei durante um bom tempo, até descobrir que era ela que não se interessava nem um pouco por mim.

Por acreditar que democracia deveria incluir a liberdade de decidir se voto ou não, fico sem muito entusiasmo em época de eleição. Pode ser trauma dos anos que passei contando papéizinhos, com candidatos e fiscais fungando em minha nuca. Sempre sonho que vão me chamar. Acordo suando.

Por isso considero um grande avanço aquela maquininha lá pra fazer o serviço. Tem até aquele barulhinho engraçado que faz quando a gente termina. Será uma risadinha?

Mas até que contar votos tinha seu lado pitoresco. Eram hilárias as discussões para descobrir se o sujeito que votou no Papai Noel queria mesmo o candidato de apelido homônimo ou estava só de gozação. E quando alguém escrevia "Nulo" e tinha um com aquele nome?

Faz lembrar um episódio -- será lenda urbana? -- ocorrido na véspera da primeira eleição para presidente depois da ditadura militar. Em um vôo Brasília-São Paulo de fim-de-semana numa quinta-feira, um passageiro sugeriu que fizessem uma prévia. A cédula seria o guardanapo e a urna o saquinho de vomitar. Emblemático? Não sei.

Na apuração dos votos o sujeito lá na frente foi cantando os resultados e no final comentou:

-- Ô, gente, era pra votar sério. Tem três votos aqui pro Enéas!

Imediatamente, lá do fundo do avião veio uma voz vibrante:

-- Os votos são o meu, da minha esposa e do meu cunhado. Meu nome é Enéas!

O mais longe que minha memória política consegue chegar é quando o Jânio renunciou. Eu era pequeno, mas grande o suficiente para entender que aquilo não era coisa boa. Eu gostava tanto das vassorinhas que ganhara em um comício! Na época havia outro político chamado Carvalho Pinto que distribuía pintinhos, mas eu preferia as vassorinhas.

Cresci, estudei e me formei arquiteto durante a ditadura. Na faculdade tive alguns espasmos de militância política, mas não duraram muito. A líder de uma greve que promovemos, que ia à escola vestida de Che Guevara de coturno, boininha e estrelinha, ordenou que duas alunas, que insistiam em assistir às aulas, fossem tiradas da classe na marra. O motivo da greve? Protestar contra a ditadura.

Naquela época o povo não sabia de nada do que acontecia no governo, só o presidente. Mudou muito desde então. Fui saber de algumas coisas anos depois, quando conheci um sujeito que foi preso e torturado na época da guerrilha do Araguaia. Ele contou que não era terrorista, só tinha ido lá vender carnês do Baú. Eu também acho que não era motivo para ser torturado.

Não entendo muito de regimes, daí minha falta de jogo de cintura em política. Só sei que os socialistas, que acusavam o capitalismo de ser a exploração do homem pelo homem, hoje fazem o contrário. Creio que a forma de governo original seja a monarquia, mas se você for parente de D. Pedro, não mande e-mails pedindo meu apoio, pois para mim a linhagem não é muito clara. Nos retratos dos livros de história, D. Pedro II, de barba, parece ser pai de D. Pedro I, muito mais jovem.

Minha monárquica opinião é baseada tão somente na observação dos mais de trinta países que ainda têm reis e rainhas enfeitando seus governos. Alguns como Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Japão, Noruega e Suécia não me parecem lugares tão horríveis assim para se viver. Nesses países até quando derrubam o governo, o governo permanece, como aconteceu na Tailândia.

Veja a Inglaterra. Parece até que monarquia faz bem à saúde, porque rainha lá não morre fácil não. Acho que não pode envelhecer e nem mudar o penteado porque seu retrato está no dinheiro. Será que é por isso que gostam tanto dela?

Lá até os jornais adoram a família real, porque se não fossem os escândalos, iriam publicar o quê? Aqui os jornais também gostam muito do governo e não podem reclamar. E alguém lembrou que nem dos impostos devíamos reclamar. Se colocássemos na ponta do lápis, veríamos que ainda é pouco, comparado ao que recebemos de volta na forma de entretenimento.

Para encerrar, devo confessar que também sou meio determinista nessa coisa de governo. Acho que o que tem de ser será, e cada um tem aquilo que merece. Os brasileiros têm o Lula, os americanos têm o Bush, e o Kirchner tem os argentinos.




Posfácio

Atendendo a pedidos de mim mesmo, numa análise puramente de comunicação e comportamento do debate Lula X Alckmin na Band eu diria que se estivéssemos na Alemanha o Alckmin logicamente teria levado a melhor. Mas não estamos na Alemanha e nem é lógica a lógica brasileira.

Este é o país da novela, a maior audiência da TV deve ser feminina, e é pelo prisma da dona de casa (que vai dizer em quem o marido deve votar, senão...) que devemos analisar. Se os dois fossem personagens de uma mesma novela, qual teria sido o melhor? O brasileiro se identifica com perdedores, tem dó de sofredores, fica ao lado das vítimas. Brasileiro é empático ao extremo.

Como analisei da outra vez (veja outro "Posfácio", temos, na novela na telinha, de um lado o retirante nordestino que deu duro para andar de avião de luxo, do outro o médico certinho que disse que vai vender o brinquedo da criança. De quem a mãe tem dó?

Existe ainda a questão da imagem paterna. Muitas mulheres nunca tiveram um pai cordato, carinhoso, compreensivo, que deixasse pra lá as "presepadas" da filha, que fechasse os olhos para suas escapadelas, para o dinheiro que gastou. Já pensou ter um paizão bonzão e compreensivo assim, que não sabe de nada? Ou será que ela iria preferir um pai com pontualidade suíça, que ficasse sabendo de tudo o que acontece em casa, onde ela foi com os amigos, quanto gastou...?

Sim, eu sei que a votação é para presidente, mas o meio através do qual os candidatos se apresentam é o da novela. Ninguém sabe o que é governar um país, mas todo mundo sabe o que é que passa na telinha. Se os dois estivessem numa novela, quem ganharia o papel de mocinho e quem seria o vilão? Vamos lá, você é o diretor e vai escolher os atores. Quem você colocaria no papel do pai bom e quem seria o pai autoritário? (Dica: Alckmin, aprenda a sorrir com os olhos ou peça para seu maquiador criar uns "pés-de-galinha" nos cantos dos olhos).

Lembre-se de que naquele momento há dois atores na tela (na cabeça da audiência) e não dois candidatos a presidente, não dois boxeadores, mesmo porque isso aqui é Brasil e não Irlanda, nosso esporte é futebol-arte, não truculência tipo futebol americano e desfile aqui é de escola de samba, não de soldados com passo de ganso.

Além disso, nossa bandeira tem o verde das matas, o amarelo do ouro, o azul do céu e o branco da paz, não o preto da pólvora, o amarelo do fogo e o vermelho do sangue da bandeira alemã. E somos campeões mundiais da novela, na vida e na tela. Numa novela alguém precisa ser o mau e alguém a vítima, cujo sofrimento e desventuras arrancará lágrimas da audiência. Porque a novela só é boa se fizer chorar.

Eu não sei qual será a estratégia do Lula nos próximos debates, mas minha opinião é que se fizer cara de perdedor sairá vencedor, porque brasileiro tem coração mole. Se chorar ao vivo, então, nem se fale! Não precisa nem de eleição.

resenha resenhas resumo resumos livro livros crítica críticas opinião opiniões literatura literaturas comentário comentários

Maquiavel o Poder: História e Marketing
JOSE NIVALDO JR.

Desde sua primeira edição, este extraordinário livro vem despertando grande interesse. Este livro de José Nivaldo Junior tem como proposta o que para o pensador francês era angustiante - interrogar e desvendar a esfinge Maquiavel. José Nivaldo Junior, é publicitário, bacharel em Direito, mestre em História e professor da UFPE. Tem participado, como consultor político, em várias campanhas eleitorais.

Maquiavel, o Poder — História e Marketing é um livro envolvente e transformador, que levanta o véu das aparências e apresenta a face maquiavélica da arte de liderar. Leitura fundamental para políticos, líderes religiosos e empresariais e para todos aqueles leitores voltados para seu próprio aperfeiçoamento pessoal.

A primeira parte do livro aborda 'O Príncipe' sob a ótica do marketing político. Os conselhos de Maquiavel são analisados no contexto do seu tempo e adaptados às circunstâncias dos nossos dias. O autor coloca, na segunda parte, personagens como de Gaulle, Cristo, o demônio, Hitler, além de kamikazes e milenaristas, na moldura da História e do Marketing.


E a gorjeta, doutor?


Respostas: 10 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?

Muito bom, enquanto o brasil todo não anular os votos, seremos sempre as marionetes, manipulaveis para definição do que é fato. Imagine as poucas mentes pensantes, contra a grande massa iludida pela historia de sempre "Eu prometo".

Enviado por Jonatan em 06/09/2010


as pessoas estão sempre dando um de boazinhas em causas sociais mais, estão querendo realmente é subir em um palanque, fazer comício para conseguir uma vaguinha naquela boca boa com salário gordo.

Enviado por roger em 22/05/2010


Gostei, sou apolítica também, em época de eleição não tenho entusiasmo nenhum, não votaria se não fosse obrigada.
SDS,

Enviado por Edméa do Rosário em 17/03/2009


De fato é um cara inteligente, mas de palavras, somente palavras, ando farto, o que precisamos é de mais ação....

Enviado por Walmir Martins em 14/05/2008


Achei fantástico e inteligente!
Há tempos buscava uma definição do que é ser apolítico.

Concordo com nosso amigo José Alberto quando diz que ser apolítico também é uma forma de fazer política.

Parabéns, volto aqui com certeza!

Enviado por Jessica Plebani em 10/02/2008


Quanta baboseira. Tu és a versão suburbana do Arnaldo Jabor (o bobo da corte)???? Esse teu negócio é prá rir ou prá chorar? Tu precisas de doses homeopáticas de honestidade intelectual,mas vai com cautela prá não entrar em choque.

Enviado por Núbia Tavares em 05/11/2006


Finalmente consegui definições políticas por meio de seus comentários. Obrigada! Sou apolítica também.

Enviado por Susana Seila Bueno Caldas em 30/10/2006


Ser apolítico também é uma forma de fazer política.
Eu não consigo ficar calado. rs Dou pitaco, embora procure manter um certo distanciamento crítico.
Grande abraço!

Enviado por José Alberto Farias em 25/10/2006


Seus comentários são fantásticos, e seu poder atrair a atenção são excepcionais.

Parabéns!

Enviado por Cezar Araujo em 25/10/2006


Clap Clap Clap!
Muito bom!!

Enviado por Becky em 19/10/2006


Publique aqui seu Comentário. Ele ficará visível nesta página. Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do autor deste blog.

Quer falar em particular? Envie um e-mail para
contato@mariopersona.com.br

*Nome (obrigatório):

E-Mail (opcional):

Site (opcional):

Comentário

Código de segurança anti-spam:
Digite aqui em letras maiúsculas)


Leia outros textos nos
arquivos.

Gostou do CAFÉ?
Anote no guardanapo e convide alguém!

De: ....
Para:
Comentário:


*Preencha todos os campos.

Mario Persona CAFE


Subscribe Free
Add to my Page

Cardápio Profissional:

Palestra Palestra com Manteiga
Planejamento Planejamento Light
Comunicação Comunicação Quente
Redação Redação com Ovomaltine
Tradução Tradução Inglesa
Experiência Experiência ao Ponto
Imprensa Imprensa na Chapa
Contato Fale com o Garçom

After Hours: Quero Contar, True Stories, Chapter-A-Day, O Pintor em Minha Janela

Copie o endereço RSS para seu leitor de feed O que é RSS?

Livros de Mario Persona

"Ser alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen

Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
gente lendo meus textos, visitando meu site, assistindo minhas palestras, costumo receber um bom número de e-mails de leitores. Mas nenhum foi tão enigmático quanto aquele que trazia apenas uma pergunta: "Por que você se chama Mario Persona?".

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
Isabel Allende



Vida, Carreira & Negócios - PodcastOneVida, Carreira & Negócios - PodcastOne


Powered By Greymatter

Copie o endereço RSS para seu leitor de feed O que é RSS?

 

 

Home | Planejamento | Comunicação | Redação | Tradução | Palestras | Coaching | Crônicas | Experiência | Imprensa | Contato

© Mario Persona Consultoria Ltda. contato@mariopersona.com.br Tel (19) 3038-4283 / Cel (19) 9789-7939 - Limeira - SP - Brasil

moving on, marketing de gente, gestão de mudanças em tempos de oportunidades, receitas de grandes negócios, crônicas de uma internet de verão


© Mario Persona

BlogBlogs.Com.Br Who links to my website?