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"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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17/06/2006 Medicina mutante
por Mario Persona

Stan Lee, criador do Incrível Hulk, Homem de Ferro, Thor e X-Men, conta que sempre foi zero à esquerda em ciência. Por isso quando queria explicar como um herói tinha surgido pegava a primeira palavra que vinha à mente -- raios cósmicos, radioatividade ou coisa do gênero -- e isso era imediatamente aceito como plausível pelos fiéis leitores dos quadrinhos. Foi o que fez para explicar as aberrações dos heróis e vilões de X-Men. São mutantes.

Stan Lee podia não entender de ciência, mas sabia ler o comportamento humano. Não é à toa que o herói que ajudou a criar -- o Homem Aranha -- é o estereótipo perfeito do adolescente: inseguro, oprimido, recluso, mas dono de um mundo interior tão imenso que só viajando pendurado em fios de teia de aranha para conseguir estar em todos os lugares. Para salvar a mocinha indefesa, evidentemente.

Levante a mão quem já sonhou em salvar uma mocinha indefesa. E se for mulher, quem já arrepiou só de pensar em ser envolta num abraço forte e seguro. É por isso que tantas meninas se apaixonam pelo professor ou até se casam com quem tem idade para ser seu pai. No Orkut há mais de cinqüenta comunidades do tipo "Adoro homens mais velhos". Para elas, homens mais velhos cheiram a estabilidade, segurança e proteção. Além de mofo, dependendo da idade.



O psicólogo Moacyr Castellani explica bem esse estereótipo em uma de suas palestras. (Poster: © Marvel Characters, Inc. / © Sony Pictures Digital Inc.)


Mas elas são também capazes de desafiar essa estabilidade quando a intuição fala mais alto, e foi o que alavancou a carreira de Stan Lee. Ao perceber a frustração do marido por ter de se sujeitar ao estilo imposto por seus editores, sua mulher o aconselhou a escrever do jeito que gostaria, mesmo que isso lhe custasse o emprego. A Wikipedia conta o que aconteceu:

"Lee deu a seus novos super-heróis sentimentos mais humanos... tinham um temperamento ruim, ficavam melancólicos, cometiam erros humanos normais. Preocupavam-se em pagar suas contas e impressionar suas namoradas, e às vezes ficavam até doentes fisicamente. Os super-heróis de Lee capturaram a imaginação dos adolescentes e jovens adultos, e as vendas aumentaram drasticamente".

Entender comportamentos faz bem para a saúde de qualquer profissão. Em um encontro para médicos, expus minha tese de que a percepção que o público tem da medicina é mutante e hoje não é a cura que as pessoas procuram. No passado era, mas hoje cura é commodity. Pelo menos na cabeça da nova geração, que acredita ser fácil curar qualquer coisa.

Esta geração viu o Luke Skywalker, de Star Wars, ganhar uma mão biônica para substituir a que fora cortada por Dart Vader, acha que é só apertar as teclas certas para ganhar vidas extras e aprende medicina no Fantástico que, no domingo à noite, sempre revela a última descoberta milagrosa dos cientistas. Se na TV mostraram uma orelha humana sendo desenvolvida nas costas de um rato, o que impede que façam o mesmo com corações, cérebros e intestinos? É só arranjar um rato maior. Ele até acredita que a criogenia que vê nas viagens espaciais da ficção seja realidade. Só não entende por que não consegue achar na seção de embalagens para congelados um saco plástico do tamanho da sogra.

Se perguntar ele vai negar, mas esta é a percepção que o cliente atual tem da medicina. Para ele, cura é commodity e medicamento, para ser bom, tem de ser azul. Se no início do século passado as manchetes alardeavam os recém descobertos antibióticos, as manchetes deste século promovem os medicamentos que turbinam o prazer. A nova geração é hedonista por natureza.

Você duvida? Quando eu era menino, herói era o Dr. Barnard, do primeiro transplante de coração. Saiu até uma edição especial da revista Manchete, só com fotos sanguinolentas, e todo mundo comprou. Quem é a estrela da medicina hoje? Dr. 90210. Não, não se trata do número de um dos Irmãos Metralha, mas de uma série de TV que começou com o cirurgião plástico brasileiro Dr. Roberto Rey esculpindo beldades em Beverly Hills. Enquanto os médicos correm atrás de curar doenças, o que as pessoas buscam mesmo é a imortalidade estética.

Não que esse comportamento tenha mudado, mas é que a tecnologia conseguiu realizar alguns sonhos antigos e cirurgia plástica é um deles. No passado mulheres ricas contratavam os melhores cirurgiões plásticos de sua época -- os grandes mestres da pintura -- para pintá-las nuas. Não como elas realmente eram, mas como gostariam de ser. Antes mesmo de Santos Dumont, já tinha gente capaz de transformar canhão em avião.



"La Maja Desnuda" e "La Maja Vestida". No século 19 na Europa era comum ter dois quadros para serem usados no mesmo lugar, dependendo de quem viesse visitar.


O bisturi era o pincel e o silicone a tinta. Era comum encomendar também uma versão vestida do mesmo quadro, para trocar caso o bispo viesse visitar. Algumas eram representadas como deusas gregas apenas para justificar sua nudez pública.

Em minha opinião, a conversa no ateliê do passado, não devia ser muito diferente daquilo que se escuta hoje nas clínicas por aí:

-- Quantos mililitros de tinta a senhora deseja nos seios? Se quiser, dou uma pincelada aqui, outra ali e... Presto! Lifting! Oh! A tinta escorreu um pouco aqui... não tem problema. É só passar a lipo.

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O Médico Nu: o Outro Lado da Medicina
GUENTHER VON EYE

Incansáveis e altruístas, verdadeiros super-heróis do cotidiano, os médicos inspiram admiração e respeito. Quem são eles, porém, desnudos da elevada carga de responsabilidade que lhes é conferida? O médico nu - Outro lado da medicina mostra que eles cometem gafes, riem e divertem-se; que além do pragmatismo da ciência, aprendem desde a escola de medicina uma outra habilidade médica: rir-se da própria falibilidade.

Guenther von Eye, foi professor de Medicina Interna durante 40 anos, sempre na escola onde obteve seu diploma, a Faculdade de Medicina da Ufrgs. Durante esses anos teve a oportunidade de colecionar um bom número de fatos anedóticos envolvendo estudantes, professores, pacientes e funcionários. Seu olhar perspicaz percorre camas e consultórios, clínicas e salas de aula, relembrando histórias singulares pouco conhecidas pelo grande público - e pacientes. Por mais de 40 anos como doutor e professor de medicina, Dr. Guenther acumulou dezenas de fatos curiosos sobre sua profissão e o ensino dela. Ora abertamente satíricas, ora sobriamente auto-analíticas, as histórias sutilmente criam uma idéia mais completa das nuances da profissão médica, e da humanidade de seus profissionais.


E a gorjeta, doutor?


Respostas: 3 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?

Medicina Mutante; Paciente Relutante.
Talvez poderia ser... Medicina Relutante; Paciente Mutante.
Já se passaram quase 4 anos que foi publicada esta crônica, mas remete com precisão cirúrgica o que acabei de visualizar quando passava em frente de uma "Clínica Especializada em Estética". Com toda aquela pomposidade e luxo difícil foi definir quem era a Doutora ou a Cliente...
Embora ainda não saibemos com precisão, se foi o egípcio Imhotep à 4 mil anos, ou à 400 a.C. o grego Hipócrates o "Pai da Medicina", fato é que, nem esse texto, nem a "Medicina" e nem os pacientes/clientes mudaram. Só o que muda em nossa atualidade, é o lado que em que estaremos numa mesa cirúrgica, ou ficaremos de pé ou estaremos deitados.

Enviado por Dr. Leo em 04/03/2010


adoro suas cronicas enviadas.vc tem um senso critico delicioso ....sem falar doleve toque de ironia em tudo q se escreve

Enviado por adriane bammann em 18/06/2006


Mais um artigo de Mario Persona que tive oportunidade de ler com muita satisfação..

Enviado por Walter Vieira em 17/06/2006


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"Ser alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen

Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
gente lendo meus textos, visitando meu site, assistindo minhas palestras, costumo receber um bom número de e-mails de leitores. Mas nenhum foi tão enigmático quanto aquele que trazia apenas uma pergunta: "Por que você se chama Mario Persona?".

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
Isabel Allende



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