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"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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05/04/2006 Saudades do Jeca
por Mario Persona

Minha maior dificuldade quando me meti a falar em público foi o sotaque. Do interior, caipira, que puxa no "R", que fala poRta, poRteira, bRoco, gRobo. Sotaque é difícil de mudar, mas a gente pode se adaptar. É só evitar falar palavras como porta, porteira e outros trens.

Basta eu ir para o Rio ou para a capital aqui pertinho e meu sotaque dói nos ouvidos (aqui a gente diz "nas orêia") dos outros, como sol (aqui a gente diz "sór") do meio-dia para quem sai de cinema escuro na sessão da tarde (aqui a gente diz "tarde" mesmo, mas de um jeito que arde). Fica logo na cara que sou do interior.

Se o guarda pede os documentos e digo que estão no porta-luva, ele logo dispara:

- O senhor é do interior, não é?

Paro num hotel, digo ao manobrista que preciso pegar algo no porta-malas e pronto! É sempre a mesma história:

- O senhor é de Piracicaba?

Não, mas sou vizinho, de Limeira, o que fica do mesmo tamanho no "R".

Uma vez liguei para uma empresa no Ceará e a menina que atendeu foi logo perguntando:

- Ô sénhorrr é do intériorrr de São Paulo, é não?

Confirmei.

- Arréconheci pelo sótaque!

Mas não é só em Limeira, Piracicaba, Santa Bárbara D'Oeste e adjacências que se fala o caipirês. No eixo que vai daqui a Ribeirão Preto, passando por Santa Rita do Passa Quatro, a maioria fala assim, puxando no "R". É onde mais se escuta frases como:

"Óia, nóis vamo descansá; num güento mais trabaiá, vamo tirá uma forga de veiz em quando, cumpadre!".

Menos em Campinas, onde o pessoal fala melhorzinho e se você perguntar se lá é interior vão dizer que não. Só que também não é capital.

Mas o território da caipirada é extenso, indo até Uberaba e Uberlândia (ou Beraba e Berlândia no dialeto local), pegando também toda a região de Bauru, até o norte do Paraná. Para o outro lado você tem a caipirada que se acha mais chique só porque mora no eixo Rio-São Paulo - Taubaté, São José dos Campos e adjacências. Não podem se esquecer de que foi de lá que saiu o Jeca.

Acho que foi aquela pureza e inocência do Jeca que serviram de inspiração quando decidi me aventurar na carreira de falar em público com sotaque e tudo. Achei que as pessoas sentiriam dó de mim, como sentem dó do Jeca, e me dariam um voto de confiança. Porque o Jeca é a imagem do sertanejo típico, cheio de inocência, de simplicidade, de desinteresse, de honestidade. Pelo menos o Jeca antigo era assim.

Com o tempo fui descobrindo outros profissionais de comunicação que estavam se dando bem apesar do sotaque. Às vezes sou até confundido com um deles, talvez pela estatura, pelos cabelos grisalhos e voz de berrante, além do inconfundível "R". É comum alguém me perguntar, depois de uma palestra:

- O senhor é parente do Milton Neves?

Não sou, não tenho qualquer parentesco com o comentarista esportivo e apresentador de TV. Mas só o fato de perguntarem já me deixou mais tranqüilo. Explico.

Eu vivia preocupado ao circular em aeroportos, de terno e gravata e maleta na mão. É que a quantidade de homens, também engravatados e de maleta na mão, que ficam me encarando nesses lugares é fora do normal. Saber que podem estar me confundindo com o Milton Neves me tranqüiliza. Acho que estão interessados mesmo é em futebol.

Antigamente eu tinha vergonha de ser caipira, depois passei a ter orgulho. Não só porque a caipirolândia é terra que gera muita riqueza, mas também por causa da cultura e da música, que virou um grande negócio quando deixou de ser caipira para virar country. Veja você, eu antes era caipira e hoje sou country! Pra que me envergonhar se ganhei até nome "ingrêis"?

Além disso, o sotaque era uma vantagem na impressão que causava nas pessoas. Certa vez uma senhora me abordou após uma palestra:

- Adorei seu sotaque. Esse sotaque caipira do interior inspira tanta confiança na gente! Faz a gente acreditar em tudo o que você diz. É que as pessoas do interior são mais simples, mais ingênuas, mais sinceras, mais honestas.

Isso foi há algum tempo. Hoje ela não diria o mesmo, com tanto caipira saindo correndo de Brasília. Eu disse de Brasília? Ingenuidade a minha! Caipira de Brasília só se for o da pamonha.

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Música Caipira: da Roça ao Rodeio
ROSA NEPOMUCENO

Os passos percorridos pela música caipira até ela adiquirir a feição pop dos dias atuais são rastreados neste livro que traz, no fundo, uma parte rica e substancial da história da cultura popular brasileira. O livro, que fala sobre a história da música caipira, é dividido em duas partes e tem cerca de 100 fotos. A primeira parte, a história, com todos os afluentes que banharam a música do caipira do centro sul do país. A segunda, com 16 perfis dos personagens mais importantes do gênero, de Tonico e Tinoco a Chitãozinho e Xororó.

E a gorjeta, doutor?


Respostas: 6 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?

Eu sei exatamente do que voce esta falando. Eu moro nos Estados Unidos a 5 anos e sempre lutei para perder meu sotaque brasileiro, achava incomodo quando eu dizia um simples "hi" e a pessoa respondia: "where are you from?" Eu ficava muito constrangida. Hoje percebo que ter sotaque e um ponto positivo para a personalidade, e charmoso e muito atraente... Hoje gosto de falar ingles com sotaque nos "S" que iniciam a palavra como pronunciar "ismoke" ao invez de "s" mudo "smoke"... O "th" do "Thank you" com som de "tank you" ao invez de som de sopro que o th tem "ssss"... Fico tranquila porque afinal a maioria da populacao aqui e mesmo imigrante! Raro mesmo e americano nativo, que no caso, so mesmo o indio! Adoro ter sotaque!!!

Enviado por Cristiane em 16/06/2006


Este texto me deixou mais tranquilo, também tenho este sotaque difícil de larrrgar, pois sou do sul de minas, onde também fala o caipira, quando morei no Paraguai os amigos me chamavam de minerrr "ôôô minerrr", e por isso ficava constrangido quando ouvia comentarios a respeito.
Obrigado

Enviado por Jairo R. Pains em 05/05/2006


Como vai, companheiro de chávena?

Enviado por Simon Diz em 19/04/2006


Fiquei tão sensibilizado com seu texto que tomei licença de publicá-lo em nosso cantinho AMIGOS DO PEITO E DA BOLA de gente do SANTOS FC... Espero que me perdoe e não me processe por isso...
[http://04029c316ec0c90306.comunidade.uolk.uol.com.br/]

O dia em que Você enjoar de café, venha tomar uns chopezinhos conosco... Independente de seu Clube de Coração, Você já é dos nossos...!!!

ABRAÇOS DA VILA MAIS FAMOSA DO MUNDOOO...!!!

Garçooommm...!!! ARREIAAA uma gelada para meu Amigo MARIO...!!!

Enviado por Flávio Strods Moreira em 17/04/2006


As Cronicas de Nada. Visite.

Enviado por Lauro Riker em 15/04/2006


É,o sr.está certo. È bom que ainda existam "caipiras" como o senhor. É, em Brasília tem é outro tipo de gente, principalmente entre os políticos. Hoje,mais um deles(os sabidos ) foi absolvido.Não sei aonde lí assim: "Entre o sabido e o babaca, seja o babaca. As cadeias estão cheias de sabidos".

J. N. Braga Monte

Enviado por josédo nascimento braga monte em 06/04/2006


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"Ser alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen

Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
gente lendo meus textos, visitando meu site, assistindo minhas palestras, costumo receber um bom número de e-mails de leitores. Mas nenhum foi tão enigmático quanto aquele que trazia apenas uma pergunta: "Por que você se chama Mario Persona?".

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
Isabel Allende



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