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Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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25/11/2005 Filhos nacionais
por Mario Persona

Filhos nacionais

:satisfied: Detesto filme nacional. Verdade; fujo deles. Primeiro, porque a maior parte dos que assisti ou pintam a violência com todas as cores, ou exaltam a malandragem como patrimônio nacional, ou acreditam que audiência seja medida por centímetro quadrado de pele exposta. E sacanagem, muita sacanagem.

Há um bom tempo pornochanchadas de quinta categoria vêm sendo mascaradas de sétima arte e subsidiadas com dinheiro público. Tudo com a desculpa de mostrar a realidade brasileira. Mas, ao contrário do que querem nos fazer crer, o brasileiro médio não é traficante, não é vigarista e nem tira a roupa no primeiro encontro.

Outra razão de fugir do nacional é o som. Tenho uns dez por cento de redução auditiva e perco boa parte dos sons agudos. Não deixa de ser uma vantagem para quem escreve, por proporcionar igual porcentagem de silêncio em qualquer ambiente, ou na hora de ouvir rádio: para mim todas as estações pegam sem chiado. Como os filmes nacionais costumam ter som de péssima qualidade, perco a maior parte das falas. O que equivale dizer que não perco nada.

Para um filme nacional ocupar minha atenção, só mesmo se não tiver mais para onde olhar. Ou se estiver a 11 mil metros de altura, a 900 km/h e lá fora o termômetro estiver marcando 50 graus negativos, impedindo que eu saia. Por esta e outras razões decidi assistir um filme nacional. Voando.

Sim, é verdade que eu tinha outras opções no vôo de Natal a São Paulo. "Procura-se um Amor Que Goste de Cachorros" eu assisti na ida em uma aeronave na qual a tela era compulsória. Na volta, com uma telinha para cada um, "A Feiticeira" eu não vi por causa da cortina que me separava da primeira classe e "A Fantástica Fábrica de Chocolate" deixei para ver depois. Outros dois ou três do cardápio eram tão irrelevantes, que nem gastei memória para guardar os títulos.

E tinha o nacional "2 Filhos de Francisco". Relutei, mais pelo som do que pela curiosidade de ver o que todo mundo disse que viu. Quando percebi que tinha opção de legenda — mesmo sendo em inglês — decidi arriscar. E chorei.

Chorei o filme todo. Isso mesmo, esse cara aqui que você vê nas fotos com pinta de executivo e nervos de aço para enfrentar grandes platéias, chorou vendo um filme no avião. E não foi pouco. Sem ninguém na poltrona ao lado para me obrigar a manter a cara lavada, passada e engomada, deixei os sentimentos correrem soltos. E como escorreram! Quase me senti viajando de hidroavião.

O filme já tem o grande mérito de atrair multidões, mesmo com todos sabendo o que acontece no fim. Tem a vida humilde da roça, lindamente caracterizada sem apelar para estereótipos ou exageros, os sorrisos inocentes que os garotos sorriem, o gigantismo da mãe brasileira que carrega o piano do lar, a preocupação de tantos pais Franciscos com a educação, e a paixão que move os inconformados a mudarem aquilo que pode ser mudado, ao invés de passarem a vida criticando o que não podem mudar, como fazem os filósofos de bar.

Os três temas sempre presentes no cinema nacional — violência, malandragem e sensualidade — continuavam lá, mas muito mais vivos, reais e honestos. A violência das circunstâncias, dos acidentes, das derrotas que nos mutilam estava lá na forma como todos a conhecemos, e não apenas traficantes. A malandragem era do tipo que descobre que é melhor ser honesto, mesmo que seja só por malandragem. E a sensualidade? Não faltou.

Sem um centímetro quadrado de pele exposta, é difícil imaginar um momento mais cheio de arremedos de paixão do que o encontro dos jovens no baile. Ofegantes, só de olhar; extasiados, só de dançar; amantes, daquele amor-suspense que só um beijo roubado pode causar. Não falei da canção "É o amor", de um louco apaixonado de alma transparente, alucinado, meio inconseqüente, um caso complicado de se entender? Devia ter falado. Não vou negar.

Parece que alguém se lembrou de avisar o cinema nacional que cinema continua sendo contar histórias. E que contar histórias com maestria é um grande negócio, capaz de encantar e emocionar pessoas onde quer que estejam: no mar, na terra ou no ar. Eu já estava no ar, quando o filme tirou meus pés do chão e transformou meus olhos em mar. Enxugado com guardanapo de papel.

Sem efeitos especiais, tela 360 graus ou som espacial, a história me tocou. Telinha pequenininha de encosto de poltrona, som que mais li nas legendas em inglês do que ouvi, vôo de carreira em classe econômica e trivial, nem o avião era presidencial. Apenas uma boa história em um filme legal. [>> Envie a um amigo >>]

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2 Filhos de Francisco
ÂNGELO ANTÔNIO, MÁRCIO KIELING, PALOMA DUARTE, LIMA DUARTE

Incentivados pelo pai Francisco, lavrador do interior de Goiás cujo sonho aparentemente impossível é transformar dois de seus nove filhos numa famosa dupla sertaneja, Mirosmar aprendeu acordeão e Emival, violão. Para ajudar nas despesas, os meninos tocam na rodoviária, onde conhecem um empresário que consegue fazer deles um sucesso no interior do Brasil até um acidente interromper a carreira da dupla. Anos mais tarde, Mirosmar volta a cantar, vira Zezé Di Camargo, mas a fama só chega quando se junta ao irmão Welson (Luciano), o parceiro perfeito para concretizar a profecia de seu pai.

E a gorjeta, doutor?


Respostas: 7 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?

BOA TARDE MARIO GOSTARIA DE SABER COMO FAÇO PRA RECEBER SEUS DVDS COM SUASPALETARS E QUE VOU COMEÇAR A FAZER O CURSO TECNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO E GOSTEI MUITO DE SEUS PALESTRAS QUE VI NA NET SOU DO ESTADO DO RJ CIDADE TERESOPOLIS .
UM ABRAÇO E QUE DEUS TE ABENÇOE VC E SUA FAMILIA UM FORTE ABRAÇO E TUDO DE BOM..

Enviado por SIDNEI em 16/06/2010


Um detalhe interessante precisa ser comentado sobre seu post, Mario: não sei qual era a companhia aérea do seu vôo, mas ela fez com que você também assistisse a uma cópia pirata de "Dois Filhos de Francisco", isto porque o lançamento oficial do DVD estava previsto para o dia 7 de dezembro.

Enviado por Alexandre Carvalho em 12/12/2005


Não podemos generalizar a qualidade dos nossos filmes, lembrando que já tivemos ótimos diretores sendo um deles o Glauber Rocha.
O som do cinema nacional já melhorou muito, as vezes devemos melhorar a nossa percepção além da legenda.

Enviado por Eder em 10/12/2005


Também nunca fui admiradora do cinema nacional. Mas, de uns anos para cá,eles tem melhorado e muito em qualidade.

Enviado por Anne em 04/12/2005


Comungo de sua opinião sobre o cinema nacional, mas vejo tudo o que disse também no que é produzido em outros países, especialmente os EUA. Confesso que jamis tive vontade de ver o filme dessa dupla, minha conterrânea, mas depois de ler sua crítica despretensiosa senti-me com vontade de assistí-lo. Claro que o farei quando sair o DVD original, ao contrário de nosso presidente.

Enviado por Wal Rezende em 01/12/2005


Também concordo com você, os filmes brasileiros antigos destacavam o pior lado do ser humano. Agora com os novos diretores, passei a gostar do contexto dos filmes atuais. Ainda não tive a oportunidade de assistir os "2 filhos de Francisco".

Enviado por Sandra Regina em 25/11/2005


:)Gosto de ver a reação das pessoas quando aceitam algo que elas mesmas as negam.
Eu particularmente gosto muito dos filmes nacionais, sou "um pouco" crítico por ir pelo menos 2 vezes por semana para ver filmes considerados bom/ótimo pela crítica.
Um filme que gostei muito nos ultimos tempos foi "2 Filhos de Francisco", muito bem filmado e passado a história, e o "Gaidin 2" que vale a pena assistir.

Enviado por Indio em 25/11/2005


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"Ser alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen

Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
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Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
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Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

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