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"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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03/05/2005 O umbigo de Adão
por Mario Persona

Adão tinha umbigo? Depende. Considerando que não nasceu de mulher, então não. Porém, considerando que foi criado pronto, como um protótipo adulto, então tinha. É simples assim. Mas alguns têm dificuldade na hora de lidar com o ambíguo de Adão. Digo, umbigo.

O Houaiss define "ambíguo" como algo que desperta dúvida, incerteza. É vago, obscuro, indefinido, admite interpretações diversas e até sentidos contrários. Algo cuja resposta pode não ser nem sim, nem não, muito pelo contrário. Entendeu? Nem vai.

Há, todavia, um lado menos nefasto da ambigüidade. Quando crianças, brincávamos de enxergar carneiros nas nuvens. Para a escola racional, não passavam de nuvens e nos mandaram parar de ver nuvens passar para prestar atenção na equação.

Hitler tinha dificuldade em lidar com a ambigüidade. Para ele nada podia ser menos do que perfeito, ao seu próprio jeito. Para deixar as coisas assim, eliminava imperfeições na marra. Na arquitetura nazista, bastava incluir uma janela na fachada esquerda, simétrica à da direita, e tudo ficava lindo.

O mesmo fez com as artes. Como não podia eliminar as nuvens, eliminou quem pintasse, escrevesse ou fizesse filmes que dessem margem a mais de uma interpretação. Tentou fazer o mesmo com as imperfeições humanas.

Das circunstâncias, Aristóteles dizia que "é provável que o improvável acontecerá". Nos negócios, então, nem se fala. Mas vou falar um pouquinho. Saber trabalhar em ambientes de incerteza e ambigüidade é vital. Nada é 100% previsível nem 100% controlável. Em tudo há risco, para tudo há de se ter intuição e criatividade.

Devemos nos adaptar às circunstâncias que não podemos mudar e administrar as que pensamos poder. Com cuidado, com as ferramentas certas para abordar as ambigüidades e o mau tempo do clima organizacional.

Costumo estimular o pensamento criativo e a tolerância para com a ambigüidade em ambientes de incerteza e risco, mas nem sempre consigo. Há quem não seja capaz de enxergar além dos padrões arraigados em seu cérebro. Foi o que ocorreu quando usei um filme em um workshop para engenheiros.

A cena de "A Lista de Schindler" mostrava o personagem na conquista de seu futuro mercado, a oficialidade nazista em um bar. Ele dá generosas gorjetas ao garçom para aproximar as dançarinas dos oficiais menores e servir bom vinho aos de alto escalão. Minha intenção era mostrar que devemos identificar e atender necessidades e desejos dos clientes, tipificadas por dinheiro, prazer e prestígio. Era minha versão light de Maslow. Um dos presentes levantou a mão.

— Não concordo que precise subornar alguém, incitar a prostituição ou embriagar o cliente para vender — disse com firmeza. Fiquei esperando que criticasse também o ambiente nazista da cena, mas pelo jeito não tinha nada contra.

Saí horrorizado só de pensar na interpretação que alguns conseguem dar ao que ensino. Pessoas que nunca brincaram de enxergar carneiros nas nuvens por só pensar com o hemisfério esquerdo da razão. Gente que só acreditará em Adão se um dia o Discovery Channel mostrar um fóssil sem umbigo.

Imediatamente lembrei de outro workshop e gelei! É que lá ensinei estratégia usando a cena da batalha de "Coração Valente". E se amanhã eu abrir o jornal e a manchete gritar: "GERENTE PROMOVE BANHO DE SANGUE EM EMPRESA"? Vou preso como mentor intelectual do crime. Eu e o Mel Gibson. [>> Envie a um amigo >>]

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Coração Valente (Braveheart) - CATHERINE MCCORMACK, MEL GIBSON, PATRICK MCGOOHAN, SOPHIE MARCEAU

Dirigido e estrelado por Mel Gibson, este épico narra a audaciosa saga sobre a brutal batalha pela independência da Escócia no Século XIII. Quando a esposa de William Walace (Mel Gibson) é brutalizada e assassinada pelas tropas inglesas, sua busca por vingança rapidamente transforma-se em uma apaixonada luta pela liberdade de seu país. As lendas que contam a bravura de Walace inspiram os cidadãos comuns a pegarem em armas contra os ingleses e transformam sua cruzada em uma guerra de grandes proporções. Coração Valente é um épico histórico carregado de emoções como paixão, traição e coragem, uma verdadeira conquista na história do cinema.

E a gorjeta, doutor?


Respostas: 12 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?

online ********* main

Enviado por maql3qm@mail.ru em 24/04/2006


online ********* main

Enviado por mvb0w62@google.com em 22/04/2006


Ainda não conhecia o trabalho de Mario Persona, até uma doscente trabalhar em sala com o livro Marketing TuttiFrutti. Nossa, me apaixonei pela linguagem simples e criativa usada nos textos. O site também nos foi indicado, acabo de chegar da faculdade e vim conhece-lo. Estou surpresa, o site é mesmo muito bom. E as crônicas, hum... são maravilhosas
Mario você ta de parabéns.

Enviado por Leinara Souza em 07/06/2005


Não chego a ser escritor, nem palestrante, também não sou administrador, muito menos um grande leitor, apenas um mero estudante, mas o que me chamou a atenção para esse artigo, além é claro da brilhante interpretação da ambiguidade através do "Umbigo de Adão", foi a maneira magnífica com quê o autor passeia nos diversos ambientes (organizacional, na vida real, na vida ideal, nas ilusões e pensamentos dos seres vivos racionais) nos levando ao despertar para a criatividade consciente e inconsciente. Também achei alguns comentários merecedores de uma réplica, como o do William Bezerra, já li em algum lugar que "As pessoas lembram 10% do que ouvem, 20% do que ouvem e vêem e 95% do que participam", será que não está na hora de rever conceitos e romper paradigmas? e o da Becky, em muito a criatividade e inovações dependem do ambiente (acolhedor, revitalizante, motivador) a cultura hoje é só um detalhe mutável. Nesse exato momento já estou revendo os meus conceitos, pois você pode ter algo melhor para me mostrar, "só sei que nada sei" (sócrates). O meu umbigo existe? Não sei. E o seu?

Enviado por França Carvalho em 24/05/2005


Mario, excelente!

Semanalmente trabalho este assunto em minhas apresentações. Começei este aprendizado não na minha escola, mas, na da minha filha de 8 anos de idade. Lá, o umbigo de Adão pode muito bem ser feito de massinha de modelar, do DNA de Deus, ou até mesmo de flocos de neve...
Concordo com a mensagem postada pela Maria Helena. Temos que continuar plantando sementes, ou, umbigos para dar à luz, uma nova geração de cabeças.

Enviado por Marcelo Homci em 17/05/2005


Compartilho com a tua ambiguidade no que se refere, ao que as pessoas interpretam. Sou palestrante motivivacional e me preocupo muito com a alinha de raciocínio e a receptividade dos meus ouvintes. Chegou a falar que, se 15% do que fôra dito for absorvido, dou-me por sastisfeito, visto que, vivemos em um país onde as pessoas não lêem, portanto, fica difícil obter grande resultados em nossas palestras.
" mas a luta continua, companheiro". LULA. Um forte abraço,
William Bezerra.

Enviado por william bezerra em 07/05/2005


Muito boa a cronica, a ironia certa para tratar de um assunto tâo serio!!! É para pensar mesmo de como a ambiguidade da interpretação pode mudar o rumo de nossas metas.. criamos uma situação para ilucidar um teoria e "alguém" enxerga uma outra lógica e puft... Bem vc é muito criativo para levantar outra imagem que não dê margem a ambiguidade de interpretação!!!! Mas verdade mesmo... estaremos sempre correndo esse risco, pois a percepção humana é individual...e como tal ...subjetiva!!!
Tenha certeza pra mim sua cronica teve um foco e um entendimento muito importante! Valeu!
Um grande abraço

Enviado por Cristina em 04/05/2005


E esse título? HaHaHa gostei muuitooo, eu seeempre pergunto as pessoas se elas acham que Adão tinha umbigo ;]

Eu acho tao difícil criar esse clima de incitar a criatividade...acho q coisa de cultura mesmo.

Outra coisa, me senti meio ofendida aih com "os engenheiros soh usam o lado esquerdo do cérebro", ahh brincaderinha, eu sou criticada por ser um engenheira q usa mais o lado direito mesmo... ;)

bjs

Enviado por Becky [a mesma do orkut] em 04/05/2005


Você conseguiu superar as suas mais elevadas elocubrações mentais anteriores.O que você trata sobre ambiguidades tem tudo a ver com as idéias do escritor maltês (da Ilha de Malta) Edward de Bono na sua obra mais conhecida intitulada "Pensamento Lateral". Lá, ele ensina a pensar sob um outro prisma. Mas neste artigo você colocou o maltês no bolso, ou de joelhos, se preferir, porque foi além do pensamento lateral e chegou ao pensamento ambíguo. Parabéns.(Escritor Paulo de Tarso)

Enviado por Paulo de Tarso Aragão em 03/05/2005


Ótimo artigo, muito bem escrito. A interpretação mal feita do que é falado ou escrito é uma realidade na empresa que atuo, realkdade esta que estamos aprendendo a lidar.
Parabéns!

Enviado por Taís Duarte em 03/05/2005


Como o próprio tema sugere, você não pode controlar tudo, muito menos como vamos atingir as pessoas e fazê-los vibrar na mesma sintonia.
O que importa é que plantamos sementes, e que e um dia germinarão em solo fértil, em três em solos carentes de adubo, e só a semanas em solos áridos. Mas germinarão, também já dei treinamentos para pessoas que contestaram de imediato, mas depois de algum tempo os ví pregando o que rejeitaram. Importante é seu diferencial, de crer, de poder falar a todos, mesmo sem ter a pretensão de convencer a todos, isto é da arte palestrar, de educar. Tenho certeza que este sujeito saiu daí pensando e analisando sobre a importância do umbigo. Abraços.

Enviado por Maria Helena em 03/05/2005


óoooooooootema essa "cronica" de hoje.
as ainda acham que hoje em dia é bom ser o teimoso, o que tudo sabe, o controlador, que sabe-tudo.
Imagina...quem pode prever as mudanças que ocorrem nas nossas vidas pessoais ou profissionais? Só Deus...
Parabéns Mário.
O Importante não é "o que" falar, mas sim "como" . vC SABE COM COMO FAZER ISSO!

Enviado por Elaine em 03/05/2005


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"Ser alguém é ter uma história para contar."
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Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
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Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
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