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"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas
do modo mais simples" -
Ralph Waldo Emerson 

Mario Persona é palestrante, escritor, conferencista, consultor, tradutor, professor de comunicação e marketing.

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17/09/2003 Quem sabe?
por Mario Persona

Quem sabe?

Costumamos reclamar do ensino, e há muito que precisa ser mudado, mas pouco falamos do orgulho acadêmico. Ele existe e fica correndo sob a pele de quem ensina (sim, sob minha pele também, pois ensino).

Esse orgulho é natural ao ser humano e nos coloca numa falsa posição de arautos da verdade. Parece existir uma necessidade (será de auto-afirmação?) do mestre mostrar ao aluno que existe um abismo entre ele e o aluno que o aluno precisará se esforçar muito para transpor (oras, pensaria o mestre, se eu dei duro ele deve dar também!).

O problema é que falta no ensino aquilo que já é lugar comum nos negócios: o cliente reina. Se no passado a relação indústria/comércio com o cliente era unilateral -- chamamos a isso de relação "push", onde a indústria empurra o que quer que o cliente consuma -- hoje essa relação é "pull", ou seja, o cliente determina o que ele vai querer e a indústria/comércio se comportam como o gênio da lâmpada para atendê-lo.

No ensino é assim? Nem sempre. Ainda prevalece a doutrina do 'calaboca moleque, que você não entende disso'. O problema é que, com a democratização total da informação, o mestre perdeu poder. Ele já não tem a chave dos oráculos do saber, já que esta foi parar nas mãos do Google.com, a maior universidade do mundo. O aluno pergunta ao Google e o Google responde do jeito que o aluno quer ouvir. E o mestre?

Bem, ele vai espernear e tentar se impor, mas o mercado acaba com isso em muito pouco tempo. Acabou a época do ensino ('push' ou empurrado pelo mestre goela abaixo). Estamos na época do aprendizado ('pull' ou sorvido pelo aluno na medida e com o tempero que ele quer).

Por tabela, é o fim também do ensino a distância que logo, logo ter? que mudar para aprendizado a distância (tema do trabalho que pretendo desenvolver aqui, se conseguir recuperar o tempo perdido). Ninguém mais vai ensinar, mas todos vamos aprender. E o mestre?

Ora, o mestre passa a ser um facilitador, porque ele próprio não sabe mais do que o mestre Google, que mora na casa de seu aluno. É por esta razão que está ficando mais importante saber procurar informação do que confiar em quem ensina. Está ficando mais importante saber perguntar do que saber responder, porque a melhor resposta acaba sendo uma composição de respostas (ou outras perguntas) que cria, em associação com o conhecimento que eu já tenho, uma sinapse que resulta em um conhecimento novo e ímpar.

Quem conseguirá avaliar isso? O mestre? É difícil, pois na velocidade em que o aluno aprende (será que ainda é aluno?) o mestre não poderá parar de aprender (será que ele ainda é mestre?). É por isso que o aluno está ficando cada vez mais difícil de ser avaliado, já que o que se considera ideal hoje em um profissional é a pluralidade de seu conhecimento, que será única para cada contêiner.

Se vai ficando impossível avaliar o quanto o aluno sabe, uma nova forma de avaliação vai tomando lugar. É a que avalia o quanto o aluno duvida (ou tem dúvidas, ou questiona). A avaliação da inquietude do que busca o saber. Isto sim deveria ser avaliado, já que a universidade está perdendo seu papel e lugar de farol do conhecimento, perdida na pluralidade do conhecimento humano acessível na ponta dos dedos. Agora, como efetivamente avaliar isso, eu não sei. Nem o Google.

E a gorjeta, doutor?


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Enviado por ZULMIRA em 26/10/2003


Como a época em que estamos vivendo é a era das contestações e das sentenças, parece que nos últimos tempos todo mundo está disposto a dar pitacos sobre o papel dos educadores e anunciar uma "nova era".
Ao meu ver, a expressão "eu ensino", é de fato deslocada do foco original do ato de educar.Os grandes educadores que temos e tivemos, jamais gostaram do verbo ensinar.
No entanto, quando se coloca o fim do papel dos mestres, parece que se está confundindo mestre com coletânea de dados estatísticos.Educar, nas palavras de Gilberto Dimenstein e eu concordo com ele, é dar exemplo de paixão pelo conhecimento.Neste aspecto, o processo educativo jamais cederá espaço para o Google ou outra fonte qualquer de informação, pois a escola não é órgão para informar, isto quem faz é a imprensa.
Os educadores propiciam um ambiente de humanização, reflexão e construção de posturas diante do mundo. Posturas estas que, inclusive, previnem a atitude adesista de que tudo, de agora em diante será definido pelo mercado.Os homens e suas idéias não são mercadorias e um jovem diante da vida não é cliente da escola, mas membro dela e de uma sociedade em constante construção.
Os mestres, no sentido que afirma o autor desta página não contribuem em nada para a formação humana.Assim como a possível "aprendizagem à distância também pouco faz.Aprendizagem, quando tomada na sua essência é algo impossível, se deslocada de uma convivência de troca de olhares, de afetividades compartilhadas e impressões sobre o mundo, construídas no sagrado espaço da atividade e do aprender que se chama orgulhosamente escola.

Enviado por Osmar Lottermann em 25/09/2003


Perguntas e respostas

Sabemos que não há respostas certas para perguntas erradas. Sabemos que o move as pessoas (e as crianças, principalmente) é a curiosidade. Portanto, o melhor mestre é o curioso que pergunta. Pergunta o qu~e: qual o mistério do mundo. Pergunta pra quem? Para todos ao alcance de sua perspicácia. E a avaliação deve ser proximal: o quanto eu aprendo com as pessoas à minha volta, sejam reais ou virtuais: esse é nosso potencial.

Enviado por Marcos Medeiros de souza em 19/09/2003


Avaliação ?!!

As escolas dão notas para depois dar diplomas que atestam que seus portadores estudaram (verbo no passado) coisas para ter diploma e não conseguirem com isso sobreviver num mundo em mutação acelerada. A falência do ensino esta no seu objetivo de fornecer diploma? Deveríamos ter uma sociedade sem diplomas, mas sábia? Ou o diploma deveria atestar que seu portador foi preparado para um mundo de mudanças radicais e portanto tera sucesso na vida pessoal e profissional.
Continue com suas provocantes questões!

Enviado por Élio J. B. Camargo em 19/09/2003


Também concordo com o Mário e também com a Alessandra; só gostaria de deixar bem claro para os alunos, mestrandos e doutorandos que o tempo que o professor era "bobo" já passou: agora existe um software que procura na internet pedacinhos do texto que o "autor" apresentou e, com um percentual x de "parecência" se define se foi plágio, se o "autor" é realmente autor da sua obra ou mero delinquente. Cabe a cada um de nós escolher o quer ser, só que hoje em dia com o risco de ser descoberto.

Enviado por Simone em 19/09/2003


Concordo plenamente com você, pois está tão fácil conseguir informação hoje, basta um click na internet e tudo está ali, os professores não sabe, mas, na verdade os alunos fazem competição de quem acha mais artigos e assuntos na internet e montam o trabalho que nem se quer teve que digitar e sim copiar, e colar no edito de texto. Com isso o aluno pode tirar notas altas no trabalho escolar, mas como fica a vida profissional!? Alunos pensem bem!

Enviado por Alessandra em 18/09/2003


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"Ser alguém é ter uma história para contar."
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Curioso para saber quem sou? Ok, você pediu. Para poupá-lo, vou começar nos anos 70. Após a fase mauricinho, virei hippie. Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em festivais, vivi 3 anos só de macrobiótica e vesti bata de algodão de saco de farinha. Despojamento exterior de um Gandhi, mas vivendo como a rainha da Inglaterra, PAItrocinado no conforto de um apê só meu no Guarujá e faculdade particular em Santos.

Fim dos anos 70, desenhista, designer de ambientes e cartunista, recém formado arquiteto, metido em movimentos de contracultura e volta à natureza, fui morar no mato. Comprei um sítio após uma tentativa frustrada de morar numa comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram 3 anos cantando "Refazenda", criando carrapatos, plantando mato e comendo arroz integral com gersal.

Foi também no fim dos 70 que nasci de novo, após três anos errando à procura de um sentido para a vida em filosofias do extremo oriente. Minha procura terminou no oriente médio
e os anjos ficaram alegres.

Voltei à civilização para continuar a carreira de arquiteto. Tive escritório de arquitetura, fui vendedor de materiais de acabamento, negociador no Banco Itaú e Cia do Metrô, editor de publicações cristãs da Verdades Vivas, tradutor técnico e diretor de comunicação e marketing da Widesoft.

Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996 criei meu primeiro site, o bilíngüe
True Stories, seguido do trilíngüe Chapter-A-Day. Trabalhando na Widesoft, criei a comunidade Widebiz e ultimamente mantenho alguns blogs, como este CAFE, o biográfico Quero Contar e o devocional O Pintor em Minha Janela.

Hoje sou
palestrante, escritor, professor e estrategista de comunicação e marketing, além de garçom aqui no Mario Persona CAFE. Para saber mais é só clicar nos docinhos do cardápio profissional lá no alto.

Descobri o ócio criativo e faço que gosto trabalhando em casa. Meus clientes nunca iam ao meu escritório — nem eu — por isso decidi assumir o modelo home-office, conectado a um atendimento profissional, empresas parceiras, ao meu filho
Lucas Persona e aos meus clientes. Adotei o modelo futuro no presente.

Ao lado de minha mesa fica a poltrona de meu filho Pedro, que passa o dia escutando música. Quem é Pedro? Esta é uma outra história que você encontra no livro
"Uma Luta pela Vida", de minha filha Lia Persona, ou acompanhando o blog Quero Contar .

Com tanta
gente lendo meus textos, visitando meu site, assistindo minhas palestras, costumo receber um bom número de e-mails de leitores. Mas nenhum foi tão enigmático quanto aquele que trazia apenas uma pergunta: "Por que você se chama Mario Persona?".

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
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